
Um estudo que está sendo realizado no Rio São Francisco pode ajudar no seu repovoamento e no combate à pesca predatória. Pesquisadores estão isolando e cadastrando o DNA de todas as espécies de peixes existentes no Velho Chico. Para que o mapeamento do DNA seja feito, basta, por exemplo, um pedaço de barbatana do peixe, para detectar o código genético e comparar com o de peixes nativos do rio.
“Se você está procurando identificar uma amostra de peixe que só ocorre na bacia do Rio São Francisco, nós podemos dizer se ela pertence a essa espécie ou é uma espécie de outra bacia”, explica o biólogo e pesquisador Bruno Brasil.
O mapeamento do DNA já está ajudando policiais a identificarem pesca predatória, crime ambiental muito comum no Rio. Fiscais do meio ambiente já autuaram um mercado que vendia dourado de tamanho menor que o permitido no Brasil. O DNA do peixe comprovou que a pesca era do São Francisco, e não do Rio Paraguai, como o comerciante afirmava.
“O que acontece muito: ‘Da onde veio esse peixe?’, ‘Não, veio da Bahia.’ ‘Não, veio do Rio Grande do Sul.’ ‘Não, veio…’. Agora, não, agora nós sabemos se o peixe veio da nossa bacia ou não. E autuar em cima de ciência, não apenas achando”, fala o engenheiro de pesca e fiscal da IEF-MG, José Vanderval de Melo Junior.
No repovoamento do Velho Chico, o DNA ajuda a identificar peixes de espécies nativas que já estavam desaparecendo em alguns trechos do rio: “Ele já teve morto. Ele agora está vivo, tem muito peixe, a gente vê o movimento do peixe no rio. Tem que cuidar”, fala o pescador Lourival da Costa.
Alerta para BH
Em Belo Horizonte, o cuidado na hora de comprar peixes deve ser reforçado. Lourival da Costa, pescador que sempre viveu às margens do Velho Chico, afirma que dos peixes, o mais procurado, o que mais tem valor, é o surubim. Porém, o peixe que é o predileto no gosto do consumidor, nem sempre é o oferecido no mercado.
Pesquisadores da UFMG analisaram 60 amostras de peixes vendidos em Belo horizonte, como o surubim. “Nenhuma das amostras correspondia ao surubim verdadeiro, e o mais interessante é que 54% das amostras, especialmente as amostras de filés, não correspondiam nem sequer a peixes do mesmo gênero. Nós encontramos inclusive peixes de origem marinha”, conta a professora veterinária e pesquisadora Denise Andrade de Oliveira.
Fonte: AMDA