Brasil bloqueia ampliação do MDL

O Brasil está bloqueando os pedidos de expansão dos recursos provenientes do carbono para os países emergentes durante as discussões da ONU, e um desentendimento com a Arábia Saudita sobre florestas e projetos de estocagem de carbono pode impedir um novo acordo climático, alegou uma fonte à Reuters.

Diversas reformas no mercado de compensações de carbono de US$ 6,5 bilhões sob o Protocolo de Quioto, chamado Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), foram propostas durante o encontro climático em Copenhague, mas poucas foram aceitas até agora.

“Todas as medidas que permitiriam a ampliação deste mecanismo, incluindo a padronização das linhas de base, mais due process (devido processo legal) e mais transparência, estão sendo bloqueadas pelo Brasil”, disse um consultor dos negociadores que pediu anonimato.

“As propostas florestal brasileira e a da Arábia Saudita de captura e estocagem de carbono (CCS, sigla em inglês) foram contestadas reciprocamente desde o primeiro dia. Isto pode impedir um acordo final”.

Com o desmatamento contribuindo com cerca de um quinto das emissões globais, o Brasil está fazendo lobby para que os países ricos paguem pela conservação das florestas tropicais.

A fonte disse que o Brasil está ansioso para que o desmatamento evitado seja elegível sob o MDL, mas a Arábia Saudita é contra a proposta devido a temores que as compensações florestais diluam o valor daquelas provenientes de projetos de CCS.

A Arábia Saudita, ansiosa para enterrar as emissões de carbono nos poços de petróleo desativados, incentiva o plano para reconhecer a tecnologia de CCS sob o MDL, mas o Brasil foi contra.

Uma decisão sobre o financiamento do CCS foi adiada e provavelmente não será concordada em Copenhague.

O Brasil é lar de 165 projetos, ou 8,5% dos 1952 registrados até agora sob o MDL. A Arábia Saudita não possui nenhum.

A fonte disse que um acordo foi alcançado sobre as propostas para aprimorar o processo de registro e expedição das compensações geradas pelos projetos, assim como um processo para permitir que os desenvolvedores apelem contra as decisões do Comitê Executivo do MDL.

“Foi uma surpresa para todos, mas demonstra que há pressão sobre os negociadores brasileiros para que não interrompam e bloqueiem tudo”, comentou.

A fonte disse que o Brasil colocou objeções sobre a ampliação da padronização das linhas de base ao longo dos setores, que recompensaria setores completos, como energia ou aço, se excedessem os padrões de eficiência energética, e sobre uma proposta para limitar reuniões fechadas do Comitê Executivo do MDL.

“Isto teria forçado o comitê a tomar mais decisões em público, mas falhou. Se um país adotasse este sistema, seria considerado inconstitucional”, disse ele.

O Brasil também rejeitou uma proposta chinesa que demandava mais comunicação entre o comitê e os desenvolvedores, e que o comitê se negasse a emitir opiniões sobre as políticas dos países hospedeiros.

A China colocou a emenda na mesa após o comitê ter rejeitado 10 fazendas eólicas no país alegando redução proposital do apoio governamental sobre estes projetos (Leia mais).

“Isto é elementar para a China. Eles estão realmente aborrecidos com isto”, comentou a fonte.
Grande parte das reformas estagnadas serão agora escaladas durante os encontros ministeriais de alto nível na sexta-feira.

“Estamos preocupados já que o setor financeiro não estará presente para explicar os prós e contras das áreas com nuances”, disse o chefe de emissões de carbono do Banco da América – Merrill Lynch.

Traduzido por Fernanda B. Muller, CarbonoBrasilPara ler o texto original, entre na Comunidade de Carbono da Reuters, clicando aqui .

Fonte: Carbono Brasil / REUTERS

Pesquisar

Últimos posts

Arquivo de postagens

Siga o CRBio-04

Rolar para cima