Mais da metade do litoral paulista tem nível máximo de sensibilidade ao óleo

Estudo inédito de pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) mostra que 52% do litoral do Estado de São Paulo é formado por ambientes muito sensíveis a vazamentos de petróleo. Isso significa que mais da metade das áreas litorâneas paulistas devem ser priorizadas em caso de vazamento.
Para fazer o mapeamento, foram usados três critérios: a complexidade do ecossistema, o nível de exposição dele à ação do mar e o tipo de solo que possui. “O tipo de solo dá a medida da penetração do óleo no ambiente e da dificuldade da limpeza”, explica o ecólogo Arthur Wieczorek, um dos responsáveis pelo trabalho.
Segundo a escala de sensibilidade utilizada por ele e seus colegas, chamada de Índice de Sensibilidade Litorânea (ISL), os ambientes mais sensíveis são manguezais, brejos, banhados, deltas e barras de rio com vegetação. A escala vai de um a dez, classificando os ambientes em ordem crescente (dez é o mais alto grau de sensibilidade).
“A sensibilidade dos manguezais é imensa, pois são ambientes abrigados das correntes. O óleo que entra lá, fica lá. E tentar remover é pior porque, ao pisotear a lama, o óleo desce e penetra no solo”, esclarece Dimas Dias Brito, geólogo e professor da Unesp.
Wieczorek explica que 80% das espécies de peixes marinhos se reproduzem e se alimentam nos manguezais. Além disso, muitas aves migratórias usam os manguezais para descansar. O levantamento na costa paulista foi feito pelo Grupo de Sensibilidade Ambiental a Derramamentos de Petróleo, da Unesp. Os dados farão parte do Atlas de Sensibilidade Ambiental a Vazamentos de Óleo do Litoral Paulista em Escala Detalhada, com lançamento previsto para 2012.
Pré-sal
Para João Carlos Milanelli, biólogo e gerente da agência ambiental da Cetesb em Ubatuba, a discussão é fundamental em tempos de pré-sal.
“A vulnerabilidade de uma área aos vazamentos é determinada pelo cruzamento da sensibilidade com a suscetibilidade”, explica.
“Uma área pode ter alta sensibilidade, mas se não for rota de petrolíferos e não estiver próxima a campos de exploração, é pouco suscetível.” Segundo ele, para definir a suscetibilidade são levadas m conta as correntes marinhas, a intensidade e a direção dos ventos e as características do óleo explorado.
Microescala. Dividida em litoral sul, Baixada Santista e litoral norte, a região costeira paulista abriga praticamente todos os ecossistemas que existem no litoral brasileiro, podendo ser vista como uma representação, em microescala, do que há no País. Boa parte do litoral sul é formada por manguezais e marismas (os equivalentes aos manguezais em regiões frias). Estas paisagens – nível dez de sensibilidade – são encontradas no estuário de Cananeia, que abrange Iguape e Ilha Comprida.
Há ainda uma extensão do litoral sul composta por praias de areia fina, como a região de Itanhaém e Peruíbe, que são nível três, ou seja, menos sensíveis.
Logo em seguida, subindo pela costa, está o estuário de Santos, com muitos manguezais, principalmente em Santos, São Vicente e Cubatão.
“A baía de Santos está ficando cada vez mais suscetível, pois além de abrigar o maior complexo portuário do País, o transporte petrolífero vai aumentar com o pré-sal. É preciso redobrar a atenção”, afirma Brito, da Unesp.
Finalmente, no litoral norte, predominam as praias e os costões rochosos. “Além de ser mais visitado por turistas, ele tem maior quantidade de ecossistemas diferentes: praias de areia fina, praias de areia grossa, costões expostos, costões abrigados, e até alguns manguezais”, diz Wieczorek.
“Encontramos áreas de nível máximo de sensibilidade nas regiões de Picinguaba e Praia Dura, em Ubatuba, e nas praias de Castelhanos e Barra Velha, em Ilhabela”, lembra Milanelli.
Vulnerabilidade. A região de São Sebastião também apresenta nível alto de vulnerabilidade por que lá está o maior terminal da Transpetro do País, com capacidade para armazenar mais de 1 milhão de metros cúbicos de óleo, e por onde passa mais da metade do petróleo nacional – além de óleo importado por navios-petroleiros. “A história mostra que a maioria dos vazamentos acontece no transporte do óleo, e não na extração”, diz Brito.
Fonte: O Estado de S.Paulo
Compartilhar no facebook
Compartilhar no google
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram

Pesquisar

Últimos posts

Arquivo de postagens

Siga o CRBio-04

Rolar para cima