Para a “civilização do desperdício” de recursos naturais, planejamento é coisa de tolo

Por Maria Dalce Ricas, Superintendente executiva da AMDA

Alguns ruralistas estão tão entusiasmados com as possibilidades de manterem sua postura de desrespeito à natureza, que agora querem que os cargos públicos de meio ambiente sejam ocupados por pessoas ligadas a eles. É um perigo! Se a moda pega, os traficantes vão exigir que os cargos na área de segurança sejam ocupados da mesma forma.

Em Nova Lima, a ordem é construir torres e condomínio. Quanto mais, melhor! Um dos maiores problemas disso é aumentar o entupimento das duas avenidas que saem de BH e dão acesso ao município, cujas áreas urbanas já estão interligadas. No Alphaville, por exemplo, licenciado para 12.000 pessoas, provavelmente vão tentar colocar umas 60.000. Mas é claro que isso não é problema de empresas e prefeitos. Para que pensar o futuro, com tanta grana rolando no presente? Planejamento é coisa de tolo!

É claro que somos a “civilização do desperdício” de recursos naturais. Mas, mesmo que fôssemos a civilização da economia dos mesmos, consumiríamos minério, madeira, água, algodão, plástico, água encanada e outros produtos que se tornaram “necessários” à nossa forma de viver. Por isso, chega a ser hilário quando alguém ergue a voz e grita bem alto que é contra mineração, contra florestas plantadas, contra tudo. Mas foi de carro, está vestido, calçado… Bem diz o ditado: “se queres reformar o mundo, antes, dê duas voltas em sua própria casa”. No caso, nem dá para ter casa, porque é preciso ferro, tijolo, areia, água, cimento…

Em círculos governamentais e privados, virou moda dizer que energia elétrica no Brasil virou sinônimo de energia limpa, porque barramentos emitem menos gases de Efeito Estufa. É uma baita mudança no significado da palavra “limpa”, porque transformar rios valiosos em biodiversidade em sucessão de lagos é bem sujo ambientalmente.

E por falar em “energia limpa”, aguarda-se ansiosamente que o governo estadual anuncie sua posição em relação à construção de PCHs no território mineiro. Parece que serão classificadas em “apoiáveis”, “por conta própria” e “inaceitáveis”, sob critérios de relação custo/benefício (geração de energia, versus impactos ambientais). Parabéns antecipado!

Fonte: Artigo publicado na seção “Metal Pesado” do Ambiente Hoje, jornal impresso da Amda, na edição de agosto de 2010

Compartilhar no facebook
Compartilhar no google
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram

Pesquisar

Últimos posts

Arquivo de postagens

Siga o CRBio-04

Rolar para cima