Projetos de reserva e mina disputam área rica em ferro em MG

Dois projetos distintos, um parque nacional e uma mina da Vale, disputam o mesmo espaço na serra da Gandarela, região central de Minas (a 50 km ao leste de BH).

O ICMBio (Instituto Chico Mendes), órgão do governo federal que cria e gere as unidades de conservação nacionais, estuda a implantação de um parque de 27 mil hectares na região – quase o tamanho da Floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro.

Já a Vale quer extrair 24 milhões de toneladas de minério de ferro por ano com o Projeto Apolo – um investimento de R$ 4 bilhões. “É um dos maiores investimentos do setor minerário neste período”, diz Cláudio Lopes, do departamento de Engenharia de Minas da UFMG.

A última grande aposta da Vale foi a mina de Brucutu, em São Gonçalo do Rio Abaixo (MG), inaugurada em 2006, com a capacidade de extrair 30 milhões de toneladas de minério por ano.
O problema é que a cava da mina Apolo, projetada para cerca de 900 hectares, está dentro da área que o ICMBio pretende para o parque.

Autor de uma dissertação de mestrado na UFMG que sugere a criação da reserva, o biólogo Wander Lopes diz que, além da presença de mamíferos ameaçados de extinção, como o lobo-guará e a onça-pintada, a área é especial por ser zona de transição entre mata atlântica, cerrado e campos de altitude.

A região, pouco explorada, conta com pelo menos nove cachoeiras e mais de 70 cavernas -numa das quais se encontra um sítio com pinturas rupestres.

CANGAS

O biólogo Flávio do Carmo, autor de outra dissertação da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) que estudou a serra, conta que a área é rica em um tipo de formação rochosa difícil de ser encontrada, as cangas.

Elas são ecossistemas que afloram no alto das montanhas, onde vivem espécies raras de vegetais e insetos e que propiciam a infiltração da chuva no lençol freático -tanto que a serra tem nascentes que abastecem parte da região metropolitana de Belo Horizonte.

Compostas por crostas de ferro, as cangas atraem as mineradoras. A exploração de minério de ferro fez com que do total de 18,5 mil hectares da formação que havia em Minas restem 11 mil. Desse total, 4,5 mil hectares estão na Gandarela, o que justifica o interesse da Vale.

O Projeto Apolo está em fase de licenciamento ambiental na Secretaria de Meio Ambiente do Estado. Já foram feitas seis audiências públicas nos municípios envolvidos -Caeté, Santa Bárbara, Raposos, Itabirito, Rio Acima e Belo Horizonte. A previsão da secretaria é que o resultado da análise fique pronto até o final do ano.

Fonte: Folha Online

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