Troca de mitocôndria

Pesquisadores nos Estados Unidos desenvolveram uma técnica experimental com potencial para prevenir distúrbios hereditários passados de mãe para filho por meio do DNA mitocondrial. O estudo foi publicado nesta quarta-feira (26/8) na edição on-line da revista Nature e em breve será veiculado na edição impressa.

De acordo com os autores, da Universidade de Ciência e Saúde do Oregon (OHSU, na sigla em inglês), a técnica deverá resultar no desenvolvimento de uma terapia genética. O objetivo desse tipo de terapia é prevenir doenças sérias em crianças antes do nascimento.

O novo método desenvolvido pelo grupo norte-americano transfere os cromossomos da mãe para um óvulo doado cujos cromossomos foram removidos, mas que tem mitocôndrias saudáveis, impedindo que a doença passe de mãe para filho.

Os pesquisadores coletaram grupos de óvulos não fertilizados de duas fêmeas de macacos rhesus – A e B. Eles removeram, então, os cromossomos, que contêm os genes encontrados no núcleo das células, dos óvulos do macaco B, transplantando os genes do núcleo dos óvulos do macaco A para os óvulos do macaco B.

Em seguida, os óvulos do macaco B – contendo sua própria mitocôndria, mas os genes do núcleo do macaco A – foram fertilizados. Os óvulos fertilizados se desenvolveram em embriões que foram implantados em outros macacos.

O implante inicial de dois embriões resultou no nascimento de dois macacos gêmeos saudáveis, que foram denominados de Mito e Tracker. Esses dois macacos são os primeiros animais do mundo derivados de transferência de eixo.

Testes posteriores mostraram que, após o processo, praticamente não houve traços de transferência mitocondrial entre os animais. Isso demonstra, segundo os cientistas, que o experimento obteve sucesso ao isolar o material genético nuclear do material genético mitocondrial durante o processo de transferência.

O artigo Mitochondrial gene replacement in primate offspring and embryonic stem cells, de Shoukhrat Mitalipov e outros, pode ser lido por assinantes da Nature em www.nature.com

Fonte: Agência FAPESP

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