A hora de virar o jogo

Por Mauro Kahn & Pedro Nobrega

Os caminhos que serão trilhados pelo próximo presidente americano, Barack Obama, ainda não podem ser definidos com precisão. Ainda assim, a atmosfera geral aponta para uma nova era. Para todos aqueles envolvidos com a questão ambiental, essa sensação é ainda mais forte.

O novo presidente já vem desde sua campanha trazendo felizes expectativas nesta área. Após a eleição, estas expectativas se redobraram com a nomeação de Hillary Clinton – há muito defensora das causas ambientais – para a Secretaria de Governo. A nomeação é reforçada também por promessas de Obama, que garante trabalhar em diversas frentes para possibilitar a preservação do meio ambiente (mesmo em um momento de crise financeira, quando seria mais fácil para os democratas estenderem a política reativa de George W. Bush).

Em relação ao meio ambiente especificamente, o primeiro passo foi dado com a nomeação de Carol Browner para o cargo de assistente do governo para mudanças climáticas e energia. Responsável pela Agência de Proteção do Ambiente no Governo Bill Clinton e colaboradora de Al Gore, Browner surge com força para mudar a postura americana em relação ao aquecimento global.

Neste sentido, a situação que vivenciamos hoje já passou do estágio de “meramente” preocupante: segundo relatórios avaliados pelas Nações Unidas, 40% das plantas da Bacia Amazônica correm o risco de desaparecer completamente, assim como 88% dos corais do Sudeste Asiático e 12% dos mangues localizados nas ilhas do Pacífico. E isso é apenas um pequeno fragmento de todo o problema. Evidentemente, um novo posicionamento da grande potência que são os EUA seria o primeiro passo para a mudança. Barack Obama não é um nome qualquer na área: sua agenda ambiental chama a atenção do planeta desde o tempo em que o ex-candidato John Kerry selecionou-o como assessor para assuntos ambientais. Obama já impressionava na época por suas idéias avançadas, ousadas até mesmo para os mais modernos Partidos Verdes.

Ao contrário de políticos ambientais unicamente preocupados com questões naturais, Obama não deixa de relacionar estas questões com avanço econômico. Desde sua efetivação como senador pelo estado de Illinois, o democrata já anunciava o projeto de criar mais de cinco milhões de empregos ligados à área ambiental, investindo 150 bilhões de dólares. A proposta é não apenas uma revolução na ordem de interesse de quem está buscando formar-se profissionalmente nos próximos anos, mas também um estímulo àqueles que já estão envolvidos na área ambiental, tanto dentro dos EUA quanto no resto do mundo (onde a mudança certamente se dará por tabela).

No campo energético, as mudanças devem ir longe. Steven Chu, o novo secretário de energia, é um nome de peso para o setor. Prêmio Nobel em 1997, o físico é não apenas um especialista em alterações climáticas, mas um defensor de longa data de energias renováveis e alternativas. A nomeação reforçou a promessa de valorização das energias renováveis, que já se anunciava com força através da garantia de Obama de que os Estados Unidos diversificarão as fontes de energia dentro do país. O presidente espera, até 2015, dispor de um milhão de carros híbridos e gerar 25% da eletricidade através de recursos renováveis. Quanto a energia nuclear, é reticente: Obama não pretende investir mais do que o necessário para a manutenção das usinas que já operam.

A nova maneira de pensar as questões ambientais e trabalhá-las é um sopro de inovação na desgastada política ambiental americana, que há muito pende para o lado conservador e rema contra a maré mundial. Não é possível saber se as promessas serão cumpridas, não há como garantir que todas o serão. Mas se o presidente e a nação americana acompanharem o otimismo e confiança que o mundo deposita em suas capacidades, não haverá como frear essa “nova onda ambiental”. Para o bem de todos.

Esta é a hora de virar o jogo.

Veja também outros artigos sobre o tema no nosso site http://www.mbcursos.coppe.ufrj.br/ (na seção Clube do Petróleo)

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