Grupo acha novos usos para remédios investigando bulas

RICARDO BONALUME NETO
da Folha de S.Paulo
As tediosas bulas de remédio podem ser uma inesperada fonte de descoberta científica, mostra um grupo de pesquisadores europeus. Analisando efeitos colaterais descritos nas bulas de 746 remédios aprovados e comercializados, os cientistas acharam possíveis novos usos terapêuticos para pelo menos treze dessas drogas.
Achar novas aplicações para drogas existentes é algo relativamente comum, mas descobertas desse tipo em geral surgem de golpes de sorte e pesquisas não sistemáticas. O princípio ativo do Viagra, por exemplo, foi antes usado contra angina.
O grupo de Peer Bork, do Laboratório Europeu de Biologia Molecular, de Heidelberg (Alemanha), porém, decidiu usar um método organizado. Fez uma varredura em centenas de bulas para procurar informações sobre efeitos colaterais que poderiam dar pistas sobre se uma droga com as mesmas propriedades serviria contra doenças diferentes.
Bork descobriu, por exemplo, que o donepezil, usado para diminuir a perda de memória em vítimas do mal de Alzheimer, tem um alvo comum com o medicamento antidepressivo venlafaxina, sugerindo que ela também poderia ser usada contra a depressão. Essa e outras descobertas foram relatadas em estudo na edição de hoje da revista científica “Science”.
A vantagem de pesquisar novos usos para drogas já usadas é encurtar o tempo de testes clínicos. A aprovação de uma nova droga pode levar até 15 anos desde sua descoberta, com testes em tubos de ensaio, cobaias e humanos.
Matéria extraída da Folha Online
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