
Bonfim está localizada na sub-bacia hidrográfica do Rio Extrema (município de Três Marias), que deságua no reservatório da usina e concentra nascentes e córregos que sofrem grande impacto ambiental. O trabalho realizado pelo Programa diminui o aporte de sedimentos no reservatório e atende a grande expectativa dos proprietários locais. Em 2009, eles participaram de reuniões de sensibilização, conscientizando os proprietários sobre a importância da preservação ambiental, agendadas pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater/MG).
A Cemig fornece adubos, formicidas e mudas. O Instituto Estadual de Florestas (IEF) garante cercas de eucalipto e rolos de arame farpado para o cercamento das nascentes e córregos onde a mata for reconstituída, e a Prefeitura Municipal de Três Marias transporta todo esse material. Os proprietários rurais da Associação Comunitária do Bonfim são responsáveis pelo frete das mudas entre o viveiro e o local de plantio, pela reserva e cessão das áreas escolhidas e pela mão-de-obra. A Emater/MG realiza a assistência técnica e a elaboração do projeto.
No primeiro ano, serão reflorestados 19,6 hectares de 17 propriedades, sendo 8,5 ha em área de mata ciliar, 7,5 ha próximos a nascentes e 4 ha em áreas degradadas de recarga hídrica. Até o final do ano, a área será ampliada para 25 ha de 25 propriedades, incluindo a construção de terraços em curva de nível, para a proteção do solo, em 125 ha de pastagens e a construção de 100 bacias de captação de águas pluviais, totalizando um investimento de quase R$ 250 mil.
Para o Secretário de Meio Ambiente e Agricultura de Três Marias, Roberto Carlos da Silva, o trabalho realizado no Bonfim será um exemplo para atender todas as demais sub-bacias no município.
Espécies nativas
O viveiro de Três Marias, instalado ao lado da usina, tem o objetivo de assegurar as mudas necessárias ao trabalho de reflorestamento nas regiões Norte e Noroeste de Minas. Com capacidade para abrigar 40 mil mudas de espécies nativas, elas serão destinadas aos programas de reflorestamento ciliar e arborização urbana na região, realizados em parceria com proprietários rurais, empresas e instituições que atuam na área ambiental.
Segundo o analista ambiental Renato Junio Constâncio, da Gerência das Usinas do Norte da Cemig, tecnicamente, o viveiro é denominado de espera ou terminação. “O material genético – frutos e sementes – é coletado na região de Três Marias e processado no Laboratório de Sementes da Cemig, em Belo Horizonte. A produção acontece no viveiro da Usina de Itutinga, no Sul de Minas e depois segue para cá”, avalia.
As mudas são transportadas ainda jovens, já rustificadas ou climatizadas (permanecem expostas ao sol e, gradativamente, a intensidade da irrigação do viveiro é reduzida) por um período de 40 a 60 dias, ficando prontas para o plantio. Dentre as espécies cultivadas, estão ingá, capinxigui, peito-de-pombo, gonçalo alves, aroeira, sangra d’água, guanandi, cedro, cagaita, mangaba, pau viola, tamboril e ipê.