Pesquisadores brasileiros ajudaram a sequenciar o genoma de três espécies de vespas parasitas. Os insetos – do tamanho da cabeça de um alfinete – servirão como pequenas cobaias para pesquisas sobre genética, biologia molecular e evolução.
As vespas têm importância agrícola e sanitária, pois podem ser usadas no controle biológico de pragas. Também parasitam pupas de moscas, como a varejeira. A pupa é o estágio intermediário entre a fase larval e o inseto adulto. A pesquisa mereceu um artigo na edição de hoje da revista Science. As três vespas do gênero Nasonia têm 17 mil genes. Cerca de 40% deles também podem ser encontrados em células humanas.
O biólogo John Werren, da Universidade de Rochester, nos Estados Unidos, coordenou os trabalhos. O Centro para o Sequenciamento do Genoma Humano, na Faculdade de Medicina Baylor, no Texas, processou o DNA das vespas e gerou uma montanha de dados com as letras químicas do DNA – algo semelhante a um gigantesco caça-palavras.
Cientistas de todo o mundo investigaram esse caça-palavras para encontrar os genes responsáveis por diferentes funções no corpo dos insetos.
Brasileiros da Universidade de São Paulo (USP), da Federal de Alfenas e da Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) procuraram os genes que contêm a receita para a produção de proteínas chamadas hexamerinas.
As professoras Márcia Bitondi e Zilá Simões, da USP de Ribeirão Preto, explicam que as hexamerinas são úteis para a estocagem de aminoácidos, tijolos moleculares usados na metamorfose. Durante a fase larval, os insetos comem vorazmente e armazenam cadeias de hexamerinas.
Quando se tornam pupas, consomem as reservas para construir as proteínas que compõem o organismo adulto. As hexamerinas também são importantes para as fêmeas produzirem ovos.
Um brasileiro que hoje leciona Biologia na Universidade Autônoma de Barcelona, na Espanha, também participou do estudo. Deodoro Oliveira trabalhou durante três anos no laboratório de Werren na Universidade de Rochester.
Acompanhou o início do projeto e contribuiu com a análise dos genes que participam das reações químicas responsáveis pela produção de energia na célula.
No Brasil, ele estudou drosófilas, moscas muito usadas em pesquisa. Mas, como Werren, também acredita que as vespas Nasonia são modelos tão bons ou até melhores para pesquisa.
Os machos desses insetos surgem de ovos não fecundados. Por isso, só têm os genes herdados da mãe, o que facilita pesquisas genéticas. Também foi possível identificar o DNA responsável pela produção do veneno da vespa. As toxinas poderão ser úteis para a descoberta de novos fármacos.
Fonte: Estadão