
O biólogo Louri Klemann Júnior, que em maio matou dois guarás na APA de Guaratuba, terá de enfrentar a Comissão de Ética do Conselho Regional de Biologia 7ª Região (CRBio-07), e ainda o Ministério Público, além de pagar uma multa ao IAP.
O biólogo tinha autorização do Ibama para matar dois espécimes de tapicuru-de-cara-pelada e caraúna-de-cara-branca, que seriam destinados à coleção do Museu de História Natural do Capão da Imbuia. Na caça às duas aves, de coloração escura acabou matando dois guarás jovens, espécie ameaçada de extinção que tem a cor vermelha.
Klemann Júnior foi autuado pelo Instituto Ambiental do Paraná, que ainda não estabeleceu o valor da multa. O IAP deverá encaminhar o caso para Ministério Público Estadual para eventual denúncia criminal contra o pesquisador. O CRBio-07 também pode remetar o caso aos promotores.
Em entrevista ao jornal Gazeta do Povo publicada nesta terça-feira (6), o presidente do CRBio-03, Rogério Duílio Genari, informa que Klemann não tinha a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), documento expedido pelo CRBio que credencia o biólogo a exercer suas atividades.
Genari disse estranhar a suposta confusão entre as espécies de aves. “Alguém que só estuda isso não pode cometer esse erro. Se ele não tinha certeza, por que atirou mesmo assim?”, pergunta, segundo a Gazeta do Povo. O presidente ainda questiona a intenção de matar as espécies que estava pesquisando“É possível armar uma rede, capturar a ave, filmá-la, fotografá-la e soltá-la.”
Em nota, o IAP diz apenas autorizou o trabalho de pesquisa porque foram realizadas em unidades de conservação do estado e o biólogo tinha a licença do Ibama. Apesar de tratar apenas de “pesquisa”, a autorização emitida pelo IAP especifica a utilização de espingardas calibres 22, 36 e 28, além do transporte das espécies.
Na licenças, o IAP exige que os pesquisadores enviem um relatório final do trabalho. Apesar disto, o órgão afirma que não tem um levantamento sobre os animais mortos por cientistas nas unidades de conservação que administra.