
O objetivo do grupo de Chicago ao desmascarar as sequências ativadoras é abrir caminho para novas drogas contra doenças humanas. Duas moléstias já estão na mira: obesidade e diabetes.
A ideia é explorar o “ajuste fino” da ativação de um gene, em vez de simplesmente produzir uma droga para ligá-lo ou para desligá-lo.
Segundo Nóbrega, desligar um gene inteiro pode ter efeitos indesejáveis -e dramáticos- no resto do organismo. É como dar um tiro de canhão para matar uma mosca pousada num bote: funciona, mas você afunda.
O biólogo brasileiro cita o exemplo de um gene estudado pelo seu grupo, o FTO. Uma mutação em um de seus ativadores está diretamente ligada à obesidade.
Os pesquisadores resolveram “nocautear” (desligar) o gene FTO em camundongos para ver o que acontecia.
“Os bichos com nocaute nesse gene comem a mesma quantidade de comida que seus irmãos normais na mesma gaiola, mas pesam 50% menos”, diz Nóbrega.
“O ruim é que eles desenvolvem uma série de outros problemas… para começar, 50% deles morrem”, ri.
“Não dá para pensar em dar um tiro de canhão. Você vai ter de saber onde a alteração na expressão de um gene está levando à alteração no organismo e tentar desenvolver uma droga que atinja o alvo nesse mecanismo, mas sem afetar as outras funções do gene.”
Fonte: Folha Online