
Sistema de Unidades de Conservação da Natureza (Snuc), principal mecanismo de conservação da biodiversidade do país, completou, na última quarta-feira (18), 12 anos de existência. Atualmente, o Snuc contém 1.649 áreas de preservação em todo o país, o que representa 1,5 milhão de quilômetros quadrados (km²) de terrenos protegidos.
Os presentes na comemoração dos 12 anos do Snuc salientaram os resultados alcançados como um marco de sucesso da implantação do sistema, estabelecido pela Lei nº 9.985/2000. “Raríssimos países tiveram uma iniciativa tão ambiciosa e conseguiram executar o que o Brasil executou com o Snuc. Será necessário, agora, levar esse conceito inovador para uma próxima etapa”, avaliou o secretário de Biodiversidade e Florestas, Roberto Cavalcanti.
Para o presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Roberto Ricardo Vizentin, é preciso elevar o Snuc para o centro da agenda do país. “As unidades precisam ser compreendidas como elemento estratégico do desenvolvimento, pois são elas que qualificam esses inúmeros serviços ambientais, levando esse projeto de desenvolvimento rumo à sustentabilidade”, afirmou Vizentin.
Vizentin pontuou ainda sobre a dificuldade de conscientizar a sociedade acerca da importância das Unidades de Conservação (UCs). “Um de nossos maiores desafios para a consolidação do SNUC ao longo dos anos é aproximar as unidades de conservação da sociedade, em um contrato social de pertencimento e co-responsabilidade entre ambos. É aí que entra a importância das consultas públicas para criação de novas unidades e dos conselhos, instâncias nas quais a participação social se dá de forma efetiva”, ressaltou.
O ministro interino do Meio Ambiente, Francisco Gaetani, alertou que o sistema enfrenta uma série de desafios. “A lei é um grande avanço. Mas será preciso compatibilizar a vontade e a ciência com uma visão de longo prazo”, pontuou.
Quatro linhas de ação devem ser consideradas nas iniciativas que darão continuidade à implantação do SNUC. De acordo com o ministro, o processo tem de contemplar a variedade de modelos de gestão das UCs, a compensação ambiental, o método de criação de novas áreas e a revisão das que já existem.
Funbio investirá em projetos de conservação da biodiversidade
O Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) lançará, em setembro deste ano, edital para selecionar projetos que possuam atividades voltadas para Unidades de Conservação, manejo de paisagens e de espécies nativas, para capacitação e que beneficiem comunidades locais. O Funbio dispõe de R$ 7,5 milhões para investir nas iniciativas que atenderem às exigências desse edital.
Haverá ainda abertura para nova seleção de propostas destinadas aos biomas Mata Atlântica e Caatinga, via edital, no valor total de R$ 2,2 milhões para executar projetos ambientais.
Este ano, já foram selecionados três projetos de apoio às redes socioambientais do Cerrado no valor de R$ 1,1 milhão.
Fonte: AMDA