Retrato recente das APPs mostra que 80% da vegetação natural virou pasto

Um retrato recente da ocupação das Áreas de Preservação Permanente (APPs) já desmatadas, mostra que oito em cada dez metros dessas áreas às margens de rios e encostas de morros no país viraram pasto, apontou o jornal A Folha de São Paulo no dia 20 de novembro.
A ocupação das APPs é a parte mais estratégica e polêmica da reforma do Código Florestal, em debate no Congresso. A preservação dessas áreas representa o maior nó na reta final das negociações da reforma das regras de proteção do ambiente nas propriedades privadas. Infelizmente, a tendência das negociações é reduzir ainda mais a exigência de recuperação de áreas ocupadas pelo agronegócio.
O estudo do professor da Universidade de São Paulo (USP), Gerd Sparoveck, estima que 550 mil quilômetros quadrados nas APPs às margens de rios e encostas de morros foram desmatados, de um total de 1,3 milhão de quilômetros quadrados de proteção da vegetação natural exigida pelo Código em vigor. De acordo com cálculos do estudo, das áreas já desmatadas, 440 mil quilômetros quadrados são ocupados por pastagens. A extensão dos pastos em APPs corresponde a mais de 1,5 vez o território do Estado de São Paulo.
De acordo com a assessora jurídica da Amda, Lígia Vial, o assoreamento dos rios causados pelo desmatamento das APPs é o grande responsável pela redução de água doce. “A Mata Ciliar funciona como uma cortina protetora dos cursos d’água, garante a estabilidade das margens evitando a erosão, protege a fauna aquática e proporciona refúgio à vida silvestre”, completa. Lígia comenta ainda que apesar de tantas evidências científicas da importância da Mata Ciliar, os ruralistas continuam insistindo na redução e a desobrigação da recuperação das APPs.
“A ocupação dessas áreas não resolveu e nem resolverá o problema financeiro dos pequenos agricultores. A solução é o investimento em políticas agrícolas e difusão de técnicas de manejo de pasto, não o desmatamento. É um verdadeiro retrocesso ambiental”, conclui a assessora.
Fonte: AMDA
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