Pesquisa descobre supergene que protege borboletas da Amazônia


Como uma borboleta da Amazônia pode imitar nas asas os desenhos de congêneres venenosas para se proteger de deus predadores? Um estudo publicado nesta sexta-feira na edição online da revista Nature mostra que este misterioso mimetismo acaba de ser desvendado por cientistas, graças à análise de um “supergene”.
“Este fenômeno tem intrigado cientistas há séculos, inclusive o próprio Darwin”, afirmou Richard Ffrench-Constant, da Universidade de Exeter, no Reino Unido. “Nós realmente ficamos impressionados com o que descobrimos”, completou Mathieu Joron, do Museu Nacional de História Natural de Paris, que chefiou as pesquisas da equipe franco-britânica.
Os desenhos complexos que a borboleta amazônica Heliconus numata ostenta em suas asas permitem a ela imitar seis espécies de borboletas venenosas, de sabor amargo, desagradável para as aves. As borboletas Heliconus capazes de imitar suas congêneres venenosas (Melineae) transmitem à suas descendentes esta proteção contra os predadores.
Mas, como todas as características necessárias são transmitidas? O “supergene” situado em um único cromossomo compreende cerca de 30 genes que controlam, juntos, muitas características como a cor das asas, que são “herdadas em bloco” pela geração seguinte, explicou Mathieu Joron. A “manutenção de boas combinações”, que permite imitar diferentes espécies de borboletas venenosas, se deve a um “mecanismo quase inesperado”, disse.
Dentro do “supergene”, a ordem dos genes varia nas borboletas Heliconus que ostentam desenhos diferentes. Alguns genes se encontram “de costas uns para os outros”, o que “suprime o processo natural de recombinação” genética no âmbito da reprodução sexuada, afirmou. Desta forma, “os genes se comportam como blocos colados”, o que evita, segundo o pesquisador, a formação de formas intermediárias de borboletas que perderiam, assim, a vantagem do mimetismo.
A existência de grupos coordenados de genes que formam um supergene já era conhecida em outras espécies, como as flores primaveras ou na camuflagem de mariposas.
Fonte: Portal Terra
Compartilhar no facebook
Compartilhar no google
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram

Pesquisar

Últimos posts

Arquivo de postagens

Siga o CRBio-04

Rolar para cima