Robô nepotista dá duro pela ‘família’, revela estudo suíço

Conta-se que um político brasileiro, criticado por instalar familiares em cargos públicos, teria se saído com esta: “Já que todo mundo é parente de alguém, melhor que seja parente meu, ora”.
Os robozinhos criados por um trio de pesquisadores na Suíça só têm 33 “neurônios” artificiais e, portanto, são incapazes de realizar o prodígio de lógica acima. Mas, sob condições favoráveis, viraram adeptos inconscientes do nepotismo –dando peso, de quebra, a uma ideia central da biologia evolutiva.
Estamos falando da seleção de parentesco. Grosso modo, o conceito explica o porquê de seres vivos serem altruístas, às vezes a ponto de sacrificar a própria vida, quando o bem-estar da família está sob ameaça.
A seleção de parentesco pode ser favorecida no jogo da evolução porque, a rigor, os parentes de um indivíduo são “pedaços” dele próprio. Se uma espécie se reproduz por meio do sexo, cada filho carrega 50% do DNA de cada um dos pais (e 25% dos genes dos avós ou dos tios). Ajudar um parente, portanto, equivale a ajudar a si mesmo quando se leva em conta as gerações seguintes.
A REGRA DE BILL
A expressão matemática das ideias acima foi bolada pelo biólogo britânico William “Bill” Hamilton (1936-2000), ganhando o nome de regra de Hamilton. Os cientistas suíços queriam demonstrar, ao longo de centenas de gerações observadas em laboratório, se a regra de fato funciona dessa maneira. Para isso, Markus Waibel, Dario Floreano e Laurent Keller usaram os simpáticos robozinhos modelo Alice, que cabem na palma da mão de seus criadores.
Em grupos de oito “indivíduos”, os robozinhos tinham de carregar “comida” e dividi- la ou não com seus companheiros. Ao fim de uma “geração”, a programação dos autômatos –equivalente ao seu DNA– era passada adiante de acordo com seu sucesso na tarefa.
Ou seja, os mais eficientes se reproduziam mais. A pegadinha é que, nos grupos iniciais, podia ou não haver robôs aparentados. E essa frequência podia variar no tempo de acordo com o sucesso dos autômatos na hora de conseguir comida e se reproduzir graças a isso.
Após 500 gerações, com 1.600 robôs cada uma (a maioria simulada com precisão em computador, porque não dava para construir tanto robô, explica Waibel), ficou claro que o altruísmo surgia com o parentesco. Havia um ponto de virada, sempre que o custo de ser “bonzinho” era superado pelo benefício de dar uma mãozinha aos ‘primos’.
O estudo, que saiu na revista científica “PLoS Biology”, pode inspirar robôs que saibam cooperar entre si, dizem os pesquisadores.
Fonte: Folha Online
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