Revista eletrônica Política Ambiental traz entrevista com especialista sobre implicações e controvérsias em torno da construção de Belo Monte

A 7ª edição da revista eletrônica “Política Ambiental”, da ONG Conservação Internacional (CI-Brasil), traz entrevista com o cientista Philip Fearnside, pesquisador-titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). O objetivo da publicação é esclarecer aos leitores implicações e controvérsias em torno da construção da usina de Belo Monte. Fearnside é um dos cinco pesquisadores brasileiros da área ambiental mais citados internacionalmente e integrante do painel de especialistas que analisou o EIA/Rima (Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental) da usina.
Na entrevista, o cientista respondeu a perguntas dos jornalistas a respeito dos impactos socioambientais da obra e de alternativas viáveis para garantir a segurança energética do Brasil sem sua construção. Foram convidados para entrevistar Fearnside os jornalistas André Trigueiro, da Globo News; Bettina Barros, do jornal Valor Econômico; Herton Escobar, do Estado de S. Paulo; Verena Glass, da ONG Repórter Brasil; Manuel Dutra, professor de jornalismo da Universidade Federal do Pará e da Universidade da Amazônia; Ana Ligia Scachetti, diretora de comunicação da Fundação SOS Mata Atlântica; e Hebert Regis de Oliveira, coordenador de comunicação do Instituto de Biodiversidade e Desenvolvimento Sustentável do Oeste da Bahia (Bioeste).
Na entrevista, Fearnside deixa claro que o projeto analisado pelo Ibama é economicamente inviável. “O projeto oficial – no qual haverá a construção de apenas uma barragem – mostrou-se totalmente inviável economicamente pela análise detalhada feita pela ONG Conservação Estratégica (CSF, da sigla em inglês),” conta.
O cientista ainda explica que “a afirmação de que não serão construídas outras barragens a montante de Belo Monte é uma mentira institucionalizada. A lógica leva à construção de barragens rio acima, começando com a Babaquara/Altamira, que ocuparia 6.140 km2, sendo grande parte em terra indígena”.
Impactos ambientais
Na entrevista, Fearnside afirma acreditar que o EIA/Rima realizado pelo Ibama não reflete a realidade dos impactos biológicos e sociais que acontecerão com a construção da usina. A CI-Brasil acredita que o projeto apresentado não prevê impactos da redução dos níveis da água do rio Xingu e do rebaixamento do lençol freático, que podem causar extinção local de espécies, destruição da floresta aluvial e, principalmente, provocar a escassez de pesca, a principal fonte de alimentos para a população indígena da bacia do Xingu, ameaçando a sua sobrevivência.
“A obra terá impactos em um raio de 3 mil km de distância da usina, colocando em risco a segurança alimentar das populações indígenas, o que pode provocar a perda da grande diversidade cultural existente na bacia do Xingu, onde vivem 20 mil índios de 28 etnias que serão direta ou indiretamente afetados”, afirma Paulo Gustavo Prado, diretor de Política Ambiental da CI-Brasil.
Outros problemas apontados pela CI-Brasil e por Fearnside são a pouca credibilidade do processo de consultas públicas e de licenciamento da usina, já que todo o corpo técnico do Ibama posicionou-se contra a licença. Além disso, a usina alagará cerca de 50% da área urbana de Altamira e mais de mil imóveis rurais de três municípios, num total de 100 mil hectares, sendo que de 20 a 40 mil pessoas serão desalojadas pela obra.
Alternativas mais viáveis
Fearnside cita uma série de alternativas que poderiam garantir a segurança energética do Brasil para os próximos anos sem a necessidade da construção de Belo Monte. Dentre elas, ele aponta investimentos em eficiência energética e em fontes limpas de energia, como a solar e a eólica, além de pequenas usinas hidrelétricas como forma de evitar grandes impactos em áreas que, sob os aspectos sociais e ambientais, são inapropriadas para empreendimentos deste porte.
Para acessar a revista, clique aqui.

Fonte: AMDA

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