Peixes copiam uns aos outros para aumentar chance de sobreviver

Já é conhecido entre biólogos um mecanismo de autodefesa em que uma espécie copia a aparência de outra para enganar predadores. O recurso, chamado mimetismo mülleriano e comum em borboletas, também é usado por peixes brasileiros, segundo estudo divulgado hoje pela revista Nature.
Cientistas liderados por Martin Taylor, da Universidade de Bangor, no Reino Unido, publicaram nesta quarta-feira (5) sua pesquisa descrevendo um novo exemplo desta técnica de sobrevivência em peixes cascudos que habitam a Bacia Amazônica. “Escolhemos os cascudos para este estudo pois sabíamos que existiam muitas espécies com enormes semelhanças corporais que viviam no mesmo ambiente”, afirmou ao iG Claudio Oliveira, um dos autores do estudo, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Botucatu.
Os peixes estudados (também conhecidos como peixes-gato ou lampreias) são da sub-família dos Corydoradinae que usam espinhos venenosos para se defender, e os pesquisadores descobriram que até três espécies diferentes deles com características corporais muito semelhantes chegam a conviver no mesmo local: uma forma básica de lembrar aos predadores que pode ser um mau negócio chegar perto. “Nossos resultados mostram que os processos seletivos que levam espécies diferentes a ficarem mais parecidas são muito importantes no processo evolutivo. No caso de duas ou mais espécies que têm seu mecanismo próprio de defesa ficarem parecidas (mimetismo mülleriano) isso amplia as suas chances de sobrevivência”, explicou Oliveira.
O trabalho também mostrou que a maioria das espécies que copiam fisicamente umas às outras não competem por recursos como comida o que faz com que, apesar de toda a semelhança, consigam viver lado a lado em paz. Mais do que isso, elas geralmente não são parentes próximas. Já as espécies aparentadas têm em geral a mesma dieta, tendem a não copiar fisicamente seus parentes mais próximos e preferem viver longe uns dos outros.
Fonte: G1
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