Acasalamento entre espécies pode levar ursos polares à extinção

As mudanças climáticas forçam os mamíferos do Ártico a acasalar com outras espécies, uma tendência que pode levar os ursos polares e outros animais à extinção, afirmaram biólogos na quarta-feira (15). “O rápido derretimento das banquisas do Ártico põe espécies em risco tanto através de cruzamentos quanto pela perda de seu hábitat”, afirmaram em um estudo divulgado na revista científica britânica Nature. “À medida que mais populações e espécies isoladas entram em contato, elas acasalam entre si, e espécies raras podem ser extintas”.
Em 2006, afirmam, cientistas ficaram surpresos ao descobrir um “Pizzly”, ou um híbrido de urso pardo e urso polar, e em 2010 outro urso, morto a tiros por um caçador, também com seu DNA misturado. O aquecimento global atinge a região do Ártico duas ou três vezes mais do que outras partes do planeta, redesenhando o ambiente em que dezenas de mamíferos terrestres e marinhos vivem. Em particular, a diminuição da calota polar do Ártico – que deve desaparecer no verão no fim do século, caso não ocorra um profundo corte nas emissões de gases de efeito estufa – tem empurrado os ursos polares para fora de suas áreas de caça normal.
Os predadores ferozes utilizam a borda da calota polar como uma área de preparo para perseguir focas, seu alimento preferido. O fato de as espécies do Ártico se misturarem não ficou totalmente comprovado, embora existam muitos exemplos importantes, de acordo com o artigo, coordenado por Brendan Kelly, da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera americana (NOAA). No ano passado, o que pareceu ser um cruzamento entre uma baleia ártica e uma baleia-franca foi fotografado no Mar de Bering, entre o Alasca e a Rússia.
Existem menos de 200 baleias-francas do Pacífico Norte, e as muitas baleias do Ártico podem, por meio de cruzamentos, rapidamente levar essa população remanescente à extinção, alertaram os pesquisadores. Diferentes espécies de golfinhos e focas do Ártico também são conhecidos por ter produzido sua prole com uma mescla de cromossomos. Hibridização não é necessariamente uma coisa ruim, e tem sido um motor essencial da evolução, disse Kelly. Mas quando é causado por atividades humanas, o fenômeno tende a ocorrer em um período curto, o que conduz a uma redução prejudicial da diversidade genética.
Quando o pato-real foi introduzido na Nova Zelândia, no final do século 19, por exemplo, acasalou com patos-cinza nativos. Hoje, sobraram poucos patos-cinza puros. No caso dos “Pizzlies,” a herança mista representa um risco à sobrevivência: enquanto eles mostram o instinto do urso polar para caçar focas, um híbrido tem a morfologia de um urso pardo, que não é bem adaptado à natação. A equipe de Kelly recomenda o abate de espécies híbridas, quando possível, como foi feito com a prole de lobos vermelhos e coiotes nos Estados Unidos. Eles também afirmam que reduzir drasticamente a quantidade de dióxido de carbono (CO2) jogado na atmosfera ajudará a retardar o desaparecimento da calota polar do Ártico. (AFP)
Fonte: Cruzeiro do Sul
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