King Kong ainda é o maior de todos os mamíferos

Com o anúncio de que o maior mamífero da pré-história foi o Indricotherium, de 17 toneladas e 5,5 metros, o primata King Kong (Megaprimatus kong), cuja altura varia de um mínimo de 6 a um máximo de 18 metros — dependendo do filme e da cena — e cujo peso estimaremos abaixo, mantém a coroa de maior mamífero de todos os tempos.
O tamanho dos animais reais e ficcionais é tema de um ensaio clássico do biólogo JBS Haldane, que qualquer pessoa que se interesse por ciência em geral — e por um bom texto sobre ciência, em particular — deveria conhecer de cor. Ele aparece em inúmeras antologias, a mais recente provavelmente sendo The Oxford Book of Modern Science Writing, e pode ser lido aqui.
O primeiro ponto que Haldane apresenta no ensaio é o de que, quando se multiplicam os medidas lineares de um ser vivo — com 6 metros de altura, Kong é três vezes maior que um gorila ordinário — as áreas de seu corpo são multiplicadas pelo mesmo fator ao quadrado (no caso de Kong, por nove), e os volumes, pelo fator ao cubo (27, no rei-primata da Ilha da Caveira).
Isso tudo pode parecer muito acadêmico até que nos damos conta de que a massa — e por tabela, o peso — do bicho varia junto com o volume (já que a densidade dos materiais de que o corpo é feito se mantém constante), e que a capacidade do animal de suportar o próprio peso segue a área da seção transversal de ossos e músculos.
Resumindo: Kong é 27 vezes mais pesado que um gorila africano comum, mas apenas nove vezes mais forte. Um gorila africano macho pesa, em média, 200 kg. Então, Kong pesa assustadoras 5,4 toneladas, com uma estrutura óssea e muscular que estaria confortável deslocando, no máximo, 1,8 tonelada.
Há ainda a questão da temperatura: o corpo gera calor de forma proporcional ao volume, mas só consegue dissipá-lo de modo proporcional à área.
No clima úmido-tropical da Ilha da Caveira, isso deveria bastar para deixar Kong prostrado. Nesse aspecto, ao menos — abstraindo, claro, a presença de Fay Wray/Jessica Lange/Naomi Watts– Nova York deve ter lhe parecido muito mais agradável.
Enfim, o corpo do Megaprimatus kong deve se submeter a pressões enormes apenas para caminhar; talvez respirar já seja até um pouco demais. Não admira que ele grite o tempo todo e, no geral, demonstre tanto mau humor. Também não surpreende que a espécie tenha sido extinta.
Fonte: Estadão.com.br
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