Ecossistemas, eleições e debate sobre o futuro

Por Luis Felipe Cesar

Agência Brasil informa: Cerca de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro dependem de recursos fornecidos diretamente pelo meio ambiente, como nutrientes do solo e água. A informação está no estudo A Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade (Teeb, na sigla em inglês), vinculado ao Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), que será divulgado na íntegra em outubro, na Conferência das Partes sobre Biodiversidade (COP-10), em Nagoya, no Japão.

Os dados parecem motivadores para a construção de uma governança que tenha na sustentabilidade dos ecossistemas o seu eixo central e poderão ser utilizados para fortalecer iniciativas fundamentadas neste princípio. No entanto, 10% refletem apenas os recursos fornecidos diretamente pelo meio ambiente. Se considerarmos o conjunto de fatores que constituem o clima constatamos que outros recursos, mais identificados como serviços ambientais, elevarão em muito esse tímido percentual. A simples (complexa) regularidade do período de secas e chuvas e a manutenção de gradientes de temperatura razoáveis, por si só, são determinantes para todo o processo de vida e de produção da sociedade. Ainda assim, somente agora os serviços ambientais começam a receber alguma valoração. E quanto valem?
O valor das condições que a Terra e sua Biosfera oferecem para a vida de todos os seres e, logicamente, da humanidade, pode ser estimado se calcularmos quanto custaria reproduzir tais condições no planeta Marte, por exemplo. Criar atmosfera respirável, água disponível, temperatura suportável, umidade adequada, vegetais e animais para alimento – apenas para citar os aspectos materiais mais densos, quanto custaria? Além disso, outros recursos também são fundamentais para o bem estar e a saúde tais como biodiversidade, paisagens restauradoras e espaços de lazer, esporte, aventura, cultura e arte.
O período eleitoral possibilita, ou deveria possibilitar, o aprofundamento do debate sobre o futuro que desejamos e como construí-lo sem impedir a vida e o bem estar de nossos filhos, netos e todos os que ainda virão. A sustentabilidade da base ecossistêmica é pré-requisito para todas as demais sustentabilidades que hoje se pronunciam tão facilmente nos muitos discursos de ocasião.

Fonte: AMDA

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