Mais de mil árvores ameaçam rede elétrica em Belo Horizonte

Com a chegada do período chuvoso, a Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais) e a Prefeitura de Belo Horizonte reforçaram em 50% as equipes responsáveis pelas podas e supressões de árvores na capital. A medida pretende evitar interrupções nos serviços básicos e possíveis acidentes causados por quedas de galhos ou até mesmo de troncos. O Premiar (Programa Especial de Manejo Integrado Árvores e Redes), da companhia, concluiu um documento sobre árvores situadas próximas a fiações e detectou que quase 1.300 delas prejudicam o sistema elétrico. No entanto, especialistas questionam o método utilizado nas podas e alegam que a ação compromete o equilíbrio e a saúde das espécies.
Somente no primeiro trimestre, o Corpo de Bombeiros registrou 220 notificações envolvendo problemas relacionados a árvores na cidade. No ano passado, esse número superou 1.440. Para não deixar que tais estatísticas aumentem, a Premiar informou que 30 equipes estão nas ruas, realizando mais de mil podas diárias.
Carlos Alberto de Souza, coordenador do Premiar, lembra que, desde agosto de 2009, 760 árvores foram removidas e mais de mil mudas, plantadas.
– Contamos com um grupo de arboristas que nos auxilia. Assim, conduzimos a copa das árvores para fora dos fios de alta tensão. A legislação federal impõe uma distância de no mínimo 1,38 metro.
Mas Francisco Mourão, biólogo conselheiro da Amda (Associação Mineira de Defesa do Meio Ambiente), contesta a metodologia adotada pela Cemig e sugere a implantação de novos modelos na rede elétrica.
– O corte em ‘V’ feito para livrar os cabos das árvores, desequilibra a copa das plantas. A inclinação acaba forçando os galhos, que, sem o contrapeso adequado, tendem a cair. O perigo continua.
Mourão sugere a instalação de fios subterrâneos.
– As árvores sofreriam menos impactos.
O biólogo também pede mais agilidade na confecção do inventário das árvores de Belo Horizonte, previsto para ser entregue pela prefeitura e a Cemig em julho do ano que vem. O cadastro vai mapear mais de 300 mil plantas espalhadas pelo município, detalhando suas características, estado de conservação e inserção no espaço urbano.
– O documento atualizado vai nos chamar a atenção para as árvores que precisam de uma solução imediata, seja a poda ou a substituição. O que não indico é o plantio de plantas menores, as chamadas anãs, em função da rede elétrica. Elas não atenderiam as funções paisagísticas e de sombreamento.
A Cemig, por meio da Premiar, surpreendeu-se com os questionamentos do conselheiro da Amda e garantiu que todo o tipo de intervenção é realizada após análise profissional. O coordenador Carlos Alberto de Souza contestou os argumentos do biólogo.
– Nossa poda não desequilibra a copa das árvores. Pelo contrário, seguimos todos os padrões de segurança para que a população esteja protegida.
Sobre a implementação da fiação subterrânea, Souza garante que as obras são de difícil execução, principalmente em uma cidade consolidada como BH.
– O processo não é tão simples. Teríamos que abrir valas nas grandes avenidas e impedir o trânsito por seis meses ou mais. E o processo pode cortar as raízes das árvores.
Ele reafirma que a fiação aérea ainda oferece as melhores condições e que as mudas plantadas atendem o contexto urbano local.
Já o projeto do inventário das árvores depende do aperfeiçoamento do sistema, de forma a viabilizar a atualização e o acesso aos dados. Márcia Mourão, gerente de Gestão Ambiental da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, explica a complexidade do trabalho.
– O trabalho em campo não nos traz dificuldades. O banco de dados é o nosso desafio maior. Lidamos com um ambiente vivo, em constante mudanças. Se existirem falhas, elas nos prejudicarão adiante.

Fonte: R7

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