Colheita pode influenciar na evolução de insetos, diz estudo

Ostrinia nubilalis

Nunca se sabe o que irá influenciar a evolução. Veja a mariposa europeia furadora de milho, por exemplo. Pesquisadores acabaram de descobrir que certo aspecto de seu comportamento sofreu uma evolução graças ao plantio de milho pelo ser humano.

A espécie, Ostrinia nubilalis, é uma lagarta que passa primavera e verão se alimentando de seu caule de milho hospedeiro, antes de se enrolar num casulo para o inverno. Ela é quase idêntica a uma espécie parente, O. scapulalis – na verdade, até recentemente imaginava-se que as duas fossem uma só. Mas a planta hospedeira da O. scapulalis não é o milho, mas uma erva daninha conhecida como artemísia.

Num artigo em The Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences, Vincent Calcagno, biólogo hoje na Universidade McGill, e colegas mostram que, falando de comportamento, isso faz toda a diferença do mundo. Porque a artemísia não é colhida ou plantada, enquanto o milho tem sido cultivado por séculos.

Na colheita, seja ela mecânica ou manual, os caules são cortados a certa altura – geralmente 6 a 15 polegadas – acima do solo. Quaisquer mariposas do milho acima daquela altura certamente não sobreviverão quando os talos forem retalhados, queimados ou dados a animais como alimento.

Através de testes de campo e de laboratório, os pesquisadores descobriram que antes deparar de comer e se tornar um casulo, a mariposa viaja para a parte inferior do caule, geralmente atingindo uma altura onde estará segura. A O. scapulalis não mostra esse comportamento descendente, chamado de geotaxia.

Calcagno disse que a explicação mais provável para o comportamento é a pressão de seleção da colheita – por gerações, as lagartas que não desciam, ou que não iam longe o bastante, não sobreviviam. “Pode haver outros motivos que expliquem a tendência de se mover para baixo, mas não temos evidências do que poderiam ser esses motivos”, disse ele. Essa seleção induzida pela colheita, segundo ele, poderia estar disseminada em outras pragas.

Fonte: The New York Times

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