Serra da moeda ganha abraço simbólico pela preservação

Cerca de 7 mil pessoas de Brumadinho, Nova Lima, Belo Vale, Moeda e comunidades tradicionais da região participaram, na manhã de quarta-feira, na rampa de decolagem do Clube do Voo Livre, do terceiro encontro anual pela preservação da Serra da Moeda, encerrado com um abraço simbólico na montanha. Este ano, a maior preocupação dos organizadores é a ameaça de nova intervenção, com a reativação da antiga Mineração Vista Alegre, apelidada de Serrinha. O projeto é da Ferrous Resources do Brasil. O temor é de que o emprendimento seque o aquífero da região, comprometendo o abastecimento de água de todos os municípios da serra e também da Região Metropolitana de Belo Horizonte.

“O reservatório de Fechos, da Copasa, faz a captação de água para todos os municípios do entorno da Serra da Moeda”, lembra a arquiteta e urbanista Dorinha Alvarenga, uma das organizadoras do protesto. Para o biólogo Vinícius Barbosa de Assis, que trabalha com danos ambientais provocados pela mineração há 15 anos, também é preciso levar em conta que o alto da serra é um dos últimos refúgios de uma área de vegetação chamada de Canga, que só existe onde há minério.

Segundo ele, essa é a primeira área a ser destruída com o início da atividade mineradora. “Ali há espécies endêmicas (que só existem no local) e que ainda nem foram estudadas”, explica. O biólogo lembra, ainda, que em 300 anos de mineração no estado, somente há três anos a mineradora Vale assumiu a responsabilidade de recuperar uma área de Canga. “Ainda não há retorno biológico da iniciativa porque ela começou há pouco tempo”, comenta.

Leide Santana Silva, de 59 anos, veio de Marinhos, uma comunidade de Brumadinho candidata ao posto de Quilombola, que fica ao lado do Quilombo do Sapé, já reconhecido pelo Instituto Estadual de Patrimônio Artístico e Cultural de Minas Gerais (Iepha). Ali, há 27 anos, 11 famílias criaram um grupo de roça para plantar arroz, feijão e milho. O objetivo era ajudar a sustentar duas famílias – uma de seis, outra de sete filhos – comandadas por viúvas, que de outra maneira não teriam como sobreviver. “Se a mineração voltar, vamos perder a terra e o nosso sustento”, afirma Leide, que é guardiã de Marinhos. As famílias da comunidade não são proprietárias das terras que cultivam. “Trabalhamos a terço e à meia com os donos das fazendas. Se eles venderiam a terra, nossa comunidade não sobreviveria”, alerta.

Uma das principais reivindicações dos organizadores do evento é a criação de um corredor ecológico na Serra da Moeda, que tem mais de 1,7 mil metros de altitude. Esse é o nome dado a uma faixa de vegetação que liga grandes fragmentos florestais ou unidades de conservação separados pela atividade humana, proporcionando à fauna o livre trânsito entre áreas protegidas e a troca genética das espécies. O corredor de biodiversidade é considerado a única alternativa possível para a Serra da Moeda, uma vez que funciona como um mosaico de usos e ocupação de terra, integrando parques e reservas, centros urbanos, além de atividades industriais e extrativistas.

Fonte: Uai

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