ENCHENTES E LIXO – AMBIENTE PROPÍCIO PARA DOENÇAS NEGLIGENCIADAS

Por Dra. Greyce Lousana, Bióloga, Mestre em Neurociências, Diretora Executiva Invitare e Presidente Executiva da Sociedade Brasileira de Profissionais em Pesquisa Clínica – SBPPC

Enchentes, falta de saneamento básico, lixo e principalmente a falta de conscientização do povo brasileiro sobre a importância de somar aos seus valores pessoais atitudes de preservação do meio ambiente, que começa em dar o destino adequado ao seu próprio lixo, têm levado o Brasil a lugares de destaque no ranking mundial de vítimas de doenças de países pobres. São as chamadas Doenças Negligenciadas que afetam milhares de pessoas no mundo, principalmente a população carente que não dispõe de tratamentos adequados. De acordo com Organização Mundial de Saúde – OMS – as doenças negligenciadas estão associadas a precárias condições de vida e à pobreza.

Brasileiros expostos ao lixo favorecem o crescimento de doenças tropicais infecciosas como Dengue; Leptospirose (infecção humana transmitida pelo rato de esgoto); Esquistossomose; Leishmaniose (transmitida pela mosca tipo Lutzomia, que provoca lesões cutâneas graves); Doença do Sono (transmitida pela mosca tsé-tsé que provoca inflamação no cérebro); Malária; Mal de Chagas; Tuberculose e outras. É um absurdo que em pleno Século 21 o Brasil esteja entre os países com maior incidência de Tuberculose, junto com a Índia, Bangladesh, Nigéria, Paquistão, Congo e outros. Segundo estimativas da OMS, dois bilhões de pessoas – correspondendo a um terço da população mundial – está infectada pelo Mycobacterium tuberculosis. Destes, oito milhões desenvolverão a doença e dois milhões morrerão a cada ano.

Apesar de todo conhecimento científico resultante de estudos sobre a biologia e a genética dos agentes causadores destas doenças, não se conseguiu ainda encontrar tratamentos terapêuticos eficazes em escala para as vítimas. Tal fato resulta de políticas públicas insuficientes, pouco interesse mercadológico por parte da Indústria Farmacêutica em pesquisa clínica, pois não vê no público alvo (pacientes com baixo poder aquisitivo) – um mercado lucrativo.

As doenças negligenciadas causam um impacto social e econômico devastador sobre a humanidade, criando um círculo vicioso: a pobreza prolonga as doenças negligenciadas e seu impacto prolonga a pobreza. Portanto, intervenções são necessárias para quebrar esse ciclo. “O grande desafio atual é a Pesquisa Translacional em Doenças Negligenciadas”, afirma a Profa. Dra. Conceição Accetturi – Médica Infectologista, Presidente da Sociedade Brasileira de Profissionais em Pesquisa Clínica (SBPPC) e Diretora Médica da Invitare Pesquisa Clínica Auditoria e Consultoria. “O nosso interesse é transformar os resultados da Pesquisa Clínica em benefícios para a população, através da industrialização de medicamentos mais eficazes que possam ser utilizados pelos pacientes de forma segura e contínua”, conclui.

A Pesquisa Translacional em Doenças Negligenciadas será um dos importantes temas a serem debatidos no XI Encontro Nacional de Profissionais de Pesquisa Clínica, que acontece dia 20/3/10 em São Paulo, promovido e organizado pela SBPPC e INVITARE. O palestrante convidado é o Dr. Mauro Sanches profissional integrado ao PNCT/MS – Programa Nacional de Controle da Tuberculose do Ministério da Saúde. Sanches tem uma vasta experiência profissional, tendo trabalhado para o governo americano em missão a países pobres.

EVENTO: XI Encontro Nacional de Profissionais de Pesquisa Clínica
Data: 20/3/10 das 08h00 às 18h00
Local: NOVOTEL São Paulo Center Norte, Ava. Zaki Narchi, 500, Vila Guilherme/São Paulo
Claudete / Tuannie

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