
A barragem de Três Marias começou a ser construída em 1956 pela antiga Comissão do Vale do São Francisco, com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico. O objetivo era regularizar o curso das águas do Rio São Francisco, permitir a navegação fluvial, o aproveitamento hidrelétrico e o controle das enchentes, além de modernizar a agricultura e a indústria. A Cemig inaugurou sua usina em 1962, com capacidade de gerar 396 MW/h, o suficiente para abastecer a metade da população de Belo Horizonte.
A UHE Três Marias permitiu aumentar a vazão mínima do rio pela liberação de águas no período de estiagem, estimulou o turismo e a pesca. No período chuvoso, o planejamento hidroenergético, definido junto ao Operador Nacional do Sistema Elétrico, prevê acúmulo de água no lago, com capacidade de armazenar 21 bilhões de metros cúbicos, para garantir geração de energia e atendimento aos consumidores durante o ano. Segundo o hidrometeorologista da Cemig, Alexander Gonçalves, a definição sobre como operar a Usina junto ao ONS considera uma série de fatores.
O planejamento permite que a capacidade do lago também não seja esgotada, possibilitando o controle das cheias buscando respeitar as vazões de restrição, ou seja, o limite de água liberada acima do qual a infraestrutura instalada na região sofre danos causados por inundação. Para isso, utiliza-se o recurso do volume de espera, que é o espaço vazio no reservatório destinado a amortecer ondas de cheia, contendo parte das águas das chuvas. No caso de Três Marias, a operação busca preservar locais além da área onde está localizado o porto de Pirapora.
Os técnicos também apresentarão como a Cemig mantém a segurança das estruturas de suas barragens e as atividades de manutenção executadas. Além disso, serão apresentadas as ações ambientais realizadas pela Empresa na Bacia do São Francisco, no âmbito do Programa Peixe Vivo, criado para preservar a ictiofuana nas bacias hidrográficas onde a Cemig tem usinas.
Rede de informações
Um sistema de informações criado pela Cemig em parceria com pescadores e ribeirinhos das margens do São Francisco, entre Três Marias e Ibiaí, vem funcionando desde 2007. Os moradores são avisados antes de cada vertimento da usina de Três Marias por uma rede de contatos localizada estrategicamente ao longo desse trecho.
Os colaboradores da rede são responsáveis por percorrer de barco trechos específicos, avisando também os moradores das ilhas da região sujeitas a inundações. Segundo Geraldo Reis, presidente da Colônia de Pescadores de Buritizeiro, os prejuízos da população com as enchentes eram constantes e incalculáveis. “Sem informação, perdíamos tudo. O alerta a todos é um grande benefício”, elogia.
Fonte: News Peixe Vivo