Toda crítica à religião é considerada uma enorme ofensa”, diz biólogo britânico


Por Teresa Chaves

colaboração para a Folha Online

O biólogo britânico Richard Dawkins explicou nesta quinta-feira, durante a primeira entrevista coletiva da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty), porque considera o livro “A Origem das Espécies”, de Charles Darwin, a obra mais importante já escrita. “O motivo é simples: é a melhor explicação já dada acerca da origem da vida, e que á capaz de lançar uma luz sobre todos os mistérios que cercam ainda hoje a natureza terrestre”.

Porém, as pessoas hoje ainda são criadas de forma a aceitar a explicação falsa e simplista dada pela religião; elas se contentam com isso, o que as impede de procurar entender a teoria de Darwin que, segundo Dawkins, não é tão complexa e está ao alcance de qualquer um que procure entendê-la.

Ele também falou sobre a questão do ateísmo e do uso do termo “bright” (algo como “iluminado”) para designar os ateus, de forma a facilitar a aceitação das pessoas. Apesar de não ver ainda bons resultados quanto ao eufemismo, ele diz que não imagina porque não possa ajudar – assim como o uso do termo “gay”, ao invés de homossexual, teria facilitado o crescimento do movimento.

Dawkins também disse acreditar que seu livro “Deus, um Delírio” é uma obra gentil e engraçada em relação à religião, mas que não é encarada assim por muitos críticos. Afinal, diz ele, “crescemos em um mundo no qual toda crítica à religião é considerada uma enorme ofensa”. Ele reafirmou sua convicção de que as religiões oferecem apenas males ao homem –o que não significa que todas as pessoas religiosas sejam essencialmente más –, uma vez que fazem com que boas pessoas possam cometer ações atrozes. Falou com otimismo do crescimento do ateísmo no mundo [dando como exemplo o sucesso da campanha do “ônibus ateu”, para a qual contribui], mas disse não acreditar que viverá para ver um mundo ateu.

Questionado pela Folha Online sobre o que aconteceria com a cultura ocidental, tão baseada na religião, caso vivêssemos em um mundo dominado pelo ateísmo, respondeu: “Nossa cultura seria vista como é hoje a cultura dos gregos antigos. É importante de ser estudada e é significativa para o mundo ocidental, mas ninguém mais acredita em Zeus e seus raios. Acredito que o mesmo ocorrerá com a nossa literatura e arte, tão embasadas no cristianismo.”

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