Guia mostra cotidiano do pescador do São Francisco

Um olhar sobre o ofício diário, o cotidiano, as crenças e as expectativas do personagem mais marcante do São Francisco, compartilhado por jornalistas e uma ambientalista.

O resultado é um livro com depoimentos e belas imagens retratando o universo do pescador do trecho mineiro do Velho Chico, incluindo os principais afluentes onde a pesca é autorizada e praticada. O Guia do Pescador foi lançado, no âmbito do Programa Peixe Vivo, na abertura oficial Semana do Meio Ambiente de 2009 da Cemig, na última terça-feira (26/05), no edifício-sede da Empresa, em Belo Horizonte.

O livro também será entregue aos pescadores e à população ribeirinha do São Francisco e de seus afluentes e na abertura oficial da Semana do Meio Ambiente em Três Marias, no dia 19 de junho. O trabalho de pesquisa foi realizado durante três semanas, entre agosto e setembro de 2007, com uma equipe descendo o rio em 350 quilômetros de Três Marias, na região Central de Minas, a Januária, no Norte do Estado, em um pequeno barco a motor e outra percorrendo o trajeto de carro.

Fé e esperança
Segundo o jornalista Paulo Boa Nova, que escreveu o guia, o trabalho apresenta um pescador que afirma ser um privilegiado por manter um contato estreito e diário com o rio, mesmo com todas as intempéries da natureza e os desafios com as agressões do homem ao rio. “É um ser integrado ao ambiente e que sente orgulho de sua condição e sempre agradece e acredita no rio, por tudo o que ele já passou e lhe proporcionou. E a liberdade de fazer o que quer e viver em paz garante o sorriso no rosto”, relata.

Para Boa Nova, a fé na vontade divina e a esperança é um prato cotidiano entre os pescadores que, junto à simplicidade do ribeirinho, dá origem ao imaginário repleto de mitos e crenças como o caboclo d’água, o minhocão e até o sono do rio. “Aqueles que têm uma vida urbana não acreditam muito. Porém os que vivem mais ligados ao rio do que à cidade são mais crédulos e têm um imaginário menos contaminado pela racionalidade.” À medida que a equipe descia o rio, testemunhava também as dificuldades da profissão. “Os pescadores que moram mais ao norte têm um perfil um pouco diferente, tendo que diversificar suas atividades para garantir o sustento da família.

Nas proximidades de Januária, um pescador me disse que naquela região o peixe do pescador são as abóboras, falando da necessidade de plantar para sobreviver”, relembra o jornalista. O livro também traz dicas de pescador para a saúde, receitas, exemplos de projetos bem sucedidos na região como o grupo artesanal do peixe defumado, as belezas naturais e o patrimônio cultural que existe às margens do rio, as modalidades de pesca e a legislação afeta a ela e não deixa de falar da mulher pescadora.

O maior prêmio para todos eles também é destaque na obra: o peixe, incluindo suas espécies e sua trajetória de vida. Além do texto de Paulo Boa Nova, o projeto gráfico do livro é de Jura Camargo, a produção de Bárbara Johnsen e as fotos de João Marcos Rosa, além da colaboração dos pescadores Norberto Antônio dos Santos e Pedro Melo e de representantes das colônias de Três Marias, Pirapora, Januária e São Francisco.

As fotos do guia renderam uma exposição que ficará aberta à visitação de 27 de maio a 9 de junho, também integrando a programação da Semana do Meio Ambiente 2009, promovida pela Cemig.

Serviço:Título: Guia do Pescador
Autores: Paulo Boa Nova (texto) e João Marcos Rosa (fotos)
Produção: Bárbara Johnsen
Edição: Companhia Energética de Minas Gerais
Preço: distribuição gratuita
118 páginas

Fonte: News Peixe Vivo

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