Cemig apresenta nova espécie de peixe descoberta no rio Jequitinhonha

O monitoramento realizado pela Companhia Energética de Minas Gerais – Cemig na Bacia do Rio Jequitinhonha, como parte das ações ambientais da Usina Hidrelétrica de Irapé, está trazendo subsídios importantes para o desenvolvimento de ações para a preservação dos peixes nativos da região. O trabalho resultou na descoberta de uma nova espécie de peixe, ainda não descrita e catalogada, que foi capturada e apresentada nesta quinta-feira (16/04), em Irapé.

O peixe é um piau de pequeno porte, com cerca de 10 cm de comprimento, caracterizado pela presença de máculas (bolas) pretas grandes e médias distribuídas pela lateral de seu corpo. A espécie é do gênero leporinus, que engloba quatro grupos de piaus. O grupo ao qual pertence o novo peixe tem sete espécies: seis restritas à Bacia Amazônica e do Rio Orenoco e outra endêmica do Rio São Francisco, no Alto Paracatu.

Para descrever o novo piau, são adotados alguns critérios para diferenciá-lo de outras espécies, como o número de escamas e dentes. A descrição está sendo realizada por pesquisadores da Fundação Biodiversitas, do departamento de Zoologia da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – PUC-MG e da Cemig. O trabalho também deve ser publicado em uma revista científica.

Monitoramento
O biólogo Francisco Andrade Neto realizou a captura no Córrego Vacaria, um tributário localizado em Padre Carvalho, no Médio Jequitinhonha. O biólogo realiza o monitoramento na região no âmbito do Programa Peixe Vivo, criado para preservar os peixes das bacias hidrográficas onde a Cemig tem usinas. Segundo Francisco, a distribuição da nova espécie deve ser restrita, pois o piau foi capturado seis vezes, mas sempre na mesma localidade.

Foram realizadas diversas campanhas de monitoramento após o enchimento do reservatório de Irapé, desde 2006. As atividades ocorrem no Rio Jequitinhonha a partir do distrito de Terra Branca, em Bocaiúva, acima do reservatório, e nas proximidades da comunidade de Malhada, em José Gonçalves de Minas, no lago de Irapé. O trabalho também é realizado após a barragem da usina, em Jatobá (Coronel Murta), nos rios Itacambiruçu e Vacaria, em Cristália e Grão Mogol, e em córregos e tributários vizinhos.

Os estudos buscam monitorar o reservatório e tributários e identificar as áreas em que os peixes possam reproduzir, antes e após a barragem. Um banco de dados com os locais de ocorrência, a dieta, a reprodução e a variedade vai facilitar na identificação da densidade da ictiofauna ao longo do tempo e auxiliar no planejamento das ações de preservação.

Para Francisco, a pesquisa, com dimensão ainda inédita na região, deve trazer dados muito importantes para a preservação das espécies nativas. “Essa fauna aquática ainda é muito pouco estudada, sendo que a região do Médio Jequitinhonha e de seus tributários é considerada uma área de importância biológica muito alta, segundo o Atlas da Fundação Biodiversitas – Biodiversidade em Minas Gerais. Acredito que o número de novas espécies pode chegar a 80”, estima.

Existem 35 espécies nativas descritas, incluindo surubim, maria-mole, curimba, cascudo, dentre outras. Três delas também são do gênero leporinus: timburé, piau-três-pintas e piapara. Devido ao número restrito de espécies em relação a outras bacias hidrográficas, a descoberta torna-se ainda mais importante para a região, pois quanto maior a variedade de peixes mais expressiva é a bacia para a biodiversidade do estado.

Nome do Peixe
Para a escolha do nome comum do peixe, a Cemig irá promover um concurso entre os moradores do Médio Jequitinhonha, dentro do trabalho de comunicação realizado na região de Irapé. O concurso “Piau, o quê?” irá colher sugestões de ribeirinhos, pescadores, estudantes, autoridades e demais representantes locais a respeito do nome que eles desejam dar ao novo piau do Jequitinhonha.

Fonte: Programa Peixe Vivo

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