Cientistas completam sequência genética do boi

Pesquisadores decodificaram a sequência genética do boi, o que ajudará na produção de leite e carne de melhor qualidade –e que também promete esclarecer informações a respeito da saúde humana.

A pesquisa reuniu 300 cientistas radicados em 25 países durante seis anos de sequenciamento, de acordo com os resultados publicados nesta quinta-feira (23) na revista “Science”.

Antonio Gauderio/Folha Imagem Gado pasta em Mato Grosso do Sul, perto da fronteira do Brasil com o Paraguai; cientistas anunciaram ter desvendado genoma do boi O genoma do boi doméstico (Bos taurus) contém 22 mil genes separados, dos quais 80% são idênticos aos genes humanos.

Os pesquisadores também descobriram que a forma como os cromossomos são organizados nos humanos é mais próxima a dos bois do que em ratos ou camundongos –animais geralmente usados em laboratórios, a fim de estudos relativos a doenças e tratamentos para humanos.

O “Projeto de Sequenciamento do Genoma Bovino” foi executado em bois Hereford, criados em regiões da Inglaterra, mas que agora são encontrados em todas as partes do mundo. Esse tipo de gado, de médio porte, é usualmente marrom, e muito utilizado na produção de carne.

“A indústria do gado é extremamente importante para a agricultura dos Estados Unidos, com mais de 94 milhões de cabeças que valem US$ 49 bilhões”, disse o secretário da Agricultura dos EUA, Tom Vilsack.

“Entender o genoma do gado e fazer seu sequenciamento possibilitará a compreensão da base genética de doenças domésticas do boi, e pode resultar em produção de carne e leite reduzindo a dependência de antibióticos”, disse.

O estudo, cujo trabalho levado durante anos custou US$ 35 milhões, foi capitaneado pelo Colégio de Medicina Baylor e pelo Serviço de Pesquisas em Agricultura dos EUA.

“O sequenciamento do genoma do gado abre outra possibilidade para entendimento do nosso próprio genoma”, disse o diretor do Instituto Nacional de Saúde, Raynard Kington.

“Comparando o genoma humano com o genoma de espécies diferentes, como o gado doméstico, nós podemos obter uma visão sobre como o genoma humano trabalha na saúde e na doença.”

Dados genômicos podem ser usados para desenvolver estratégias melhores para tratar e prevenir doenças que afetam o gado —como a encefalopatia espongiforme bovina, comumente conhecida como doença da vaca louca– que também pode ser transmitida às pessoas.

“Ferramentas genéticas já são desenvolvidas e colocadas à prova para a indústria de laticínios, e nós acreditamos que elas serão aplicadas na indústria de carne bovina. Esperamos também que a informação seja usada para trazer alternativas inovadoras para reduzir o impacto ambiental do gado, a partir dos gases poluentes emitidos por flatulência bovina”, disse Richard Gibbs, um dos pesquisadores que participaram do trabalho.

Fonte: France Presse

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