Técnica apaga memórias específicas em cobaias

RAFAEL GARCIA
da Folha de S.Paulo

Um novo experimento trouxe para mais perto da realidade uma técnica anteriormente só vista em ficção científica. No filme “Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembrança”, um médico era capaz de eliminar recordações traumáticas que as pessoas queriam esquecer.

Cientistas acabam de relatar que conseguiram fazer o mesmo, só que em camundongos. Em estudo na revista “Neuron”, Joe Tsien, do Colégio Médico da Geórgia (EUA), mostra como induziu roedores a perderem memórias traumáticas que adquiriam quando levavam choques elétricos em uma gaiola especial.

Ao contrário de experimentos anteriores, desta vez os cientistas mostraram que é possível fazer isso sem eliminar outras memórias importantes dos camundongos.

A pesquisa aponta para a possibilidade de desenvolvimento de um fármaco para tratar males como o transtorno do estresse pós-traumático, que afetar muitos veteranos de guerra.

Tsien, porém, se mostra um pouco cético. “Pessoalmente, não acho que será possível fazer isso em humanos, visto quão complexo é nosso cérebro”, disse à Folha. “Mas, se isso acontecer antes de eu morrer, não ficarei tão surpreso.”

O truque de Tsien para escolher a memória a ser apagada nos roedores foi criar um animal transgênico que, ao sinal de uma droga especial, inunda o cérebro com uma proteína reguladora de memórias chamada CaMKII. Se a droga é dada quando uma determinada memória é “lembrada”, é ela que passará a ser suprimida.

Tsien também reforça que o esquecimento induzido tem riscos, pois todas as memórias, incluindo as dolorosas, são vitais para a consciência. “Se alguém tem uma desilusão amorosa, esperar por uma pílula para apagar a memória do relacionamento não é a solução.”

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