Dentro de quatro anos, o biomonitoramento de águas será obrigatório em Minas Gerais. E, para traçar metodologias e normalizar o uso de micro e macroorganismos aquáticos para medir o impacto da poluição na flora e fauna dos rios, o Centro Tecnológico de Minas Gerais (Cetec) organizou vários debates na 2ª Oficina e Encontro Internacional de Biomonitoramento de Ambientes Aquáticos Continentais. A rodada de palestras termina nesta terça-feira, na sede da instituição, no Bairro Cidade Nova, e um dos objetivos é justamente determinar protocolo para uso correto da água por empresas.
A bióloga e consultora do Cetec Marília Vilela Junqueira explica que a base dos bioindicadores é a coleta de organismos que vivem nas águas fluviais, como larvas de insetos, caramujos, fitoplâncton, algas e plantas aquáticas, geralmente alimentos dos peixes. O princípio do método é verificar o índice de poluição e degradação de um curso d’água a partir da quantidade de organismos encontrada.
Segundo ela, a técnica já é usada por algumas instituições, mas não de forma sistematizada. O primeiro encontro sobre o tema ocorreu há dois anos, e nele foi estudada a implantação da técnica. “Montamos um grupo de trabalho para discutir adequações que teriam de ser feitas para que as organizações estaduais pudessem se adaptar às propostas da Resolução 357/2005 do Conselho Nacional do Meio Ambiente. O documento apóia o biomonitoramento, e há uma série de ajustes que precisam ser feitos. A legislação foi aprovada e, agora, temos prazo de quatro anos para normatizar a aplicação no estado. Assim que estiver pronto, o governo irá exigir a nova metodologia.”
Ela explica que a forma mais comum de verificar a qualidade da água são os exames físico-químicos. No entanto, com a nova técnica os resultados terão mais veracidade. “Será possível também perceber se a flora e a fauna estão em equilíbrio, além de observar a variedade ecológica subaquática e as alterações morfológicas do curso d’água”, diz Marília. A bacia do Rio das Velhas será, provavelmente, a primeira a ser beneficiada com o método. “Há em torno de 400 pontos de coleta em Minas. A aplicação vai começar aos poucos e a tendência é expandir para todos os locais”, afirma.
Beto Magalhaes/EM/D.A Press -4/6/08
Cianobactérias
Depois de um ano do susto da floração anormal de algas nos rios das Velhas, São Francisco e Doce, ocorrida em setembro de 2007, a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec) vai divulgar um estudo inédito sobre a origem do desequilíbrio, além de ações preventivas. Desde abril, período em que começa a estiagem, equipes da Cedec monitoram três pontos do Rio das Velhas, nas cidades de Inimutaba, na Região Central, Lassance, e Barra do Guaicuí, ambas no Norte de Minas.
“Percebemos que a anormalidade ocorreu justamente na época de seca, com a alta temperatura e a baixa vazão das águas. Mas não vamos esperar que o desequilíbrio se repita. Por isso, mantemos um estudo sobre o que ocorreu e o resultado deve ficar pronto no mês que vem. Com o diagnóstico, vamos propor ao poder público ações de controle. O nível-limite estabelecido pela Ministério da Saúde é de 10 mil células por mililitro de água, e o que encontramos está abaixo dessa quantidade. Ou seja, não há risco de contaminação”, explica o chefe do Centro de Controle de Emergência da Cedec, major Edgard Estevo da Silva.
Fonte: Uai (www.uai.com.br)