quinta-feira, 20 de março de 2014

Projeto de conservação restaura população do mico-leão-preto



Desde 2011, a Bióloga Gabriela Cabral Rezende integra a equipe do Programa de Conservação do Mico-leão-preto (PCMLP), desenvolvido pelo Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ). O produto final do Mestrado em Conservação da Biodiversidade e Desenvolvimento Sustentável pela Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade (ESCAS), do IPÊ, de Rezende foi um livro. A publicação registrou os esforços para conservação deste primata que existe apenas na Mata Atlântica do estado de São Paulo e que já foi considerado extinto da natureza. O livro Mico-Leão-Preto: A História de Sucesso na Conservação de uma Espécie Ameaçada será lançado nesta quarta-feira (19), em São Paulo.

"A ideia de publicar um livro surgiu a partir das entrevistas com as pessoas que integraram o projeto. Ao conversar com elas, comecei a ver o quão rica era a história e que muitas das decisões não foram plenamente planejadas, mas sim tomadas no calor da emoção, sempre priorizando o bem da espécie. E essa história de sucesso tão rica em detalhes e aprendizados ia se perder com o passar dos anos, mas se fosse registrada, poderia servir de exemplo e inspiração para muita gente. E assim surgiu a ideia do livro", contou a bióloga.

O programa de conservação teve início em 1984, no Pontal do Paranapanema, com atividades de pesquisa e educação ambiental desenvolvidas pelo casal Claudio e Suzana Padua. O IPÊ foi criado em 1992, quando o projeto foi oficializado. Neste ano, comemora-se 30 anos de atuação do PCMLP, cujas atividades deram origem ao instituto e ao seu modelo de atuação, utilizado até hoje.

Segundo Rezende, o principal objetivo desse programa é garantir populações autossustentáveis e viáveis de mico-leão-preto ao longo de sua área de distribuição, por meio do aumento do tamanho, conectividade e qualidade do habitat e do envolvimento de comunidades na conservação. "Para ser viável a longo prazo, uma população de mico-leão-preto deve ser constituída por, no mínimo, 750 indivíduos. A meta é garantir ao menos duas populações com esse tamanho mínimo", explicou.

"A espécie, que já foi considerada extinta, foi redescoberta com uma população aproximada de 100 indivíduos. Atualmente, esse tamanho já supera 1.000. Temos uma população estabelecida há quase 20 anos por meio de translocações de micos a um fragmento onde a espécie não era mais encontrada", informou a bióloga.

A expectativa de Rezende é que a publicação seja capaz de inspirar e motivar pessoas que acreditam em uma causa a lutarem por seus objetivos, principalmente se for a conservação de uma espécie, um grupo de espécies ou um ecossistema ameaçados a desaparecer. "Se algum projeto surgir por conta disso, ou mesmo se mais pessoas se envolverem com a conservação após lerem o livro, meu sentimento será de missão cumprida", finalizou.

O livro será lançado nesta quarta-feira (19), em São Paulo, a partir das 18h30, na Livraria da Vila, localizada na Alameda Lorena, Jardins. A publicação está à venda na loja do IPÊ e outras livrarias. De acordo com a bióloga, parte da renda obtida será destinada ao Programa de Conservação do Mico-leão-preto e revertida em ações para a conservação da espécie e seu habitat.

Confira a entrevista completa:

Fonte: AMDA
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