quinta-feira, 27 de março de 2014

Brasil aparece em terceiro lugar no ranking de conflitos ambientais



Um projeto inédito da Universidade Autônoma de Barcelona mapeou conflitos ambientais em todo o mundo. No mapa, o Brasil aparece em terceiro lugar (ao lado da Nigéria) em número de disputas. A mineradora brasileira Vale ocupa a quinta posição no ranking de empresas envolvidas nessas questões.

Na América Latina, o maior número de conflitos documentados pelo mapa está na Colômbia, com 72 casos, Brasil, com 58, Equador, 48 conflitos ambientais, Argentina, 32, Peru, 31, e Chile com 30 casos. Entre os 58 conflitos brasileiros há disputas agrárias como o caso de Lábrea, cidade no Amazonas próxima à fronteira com o Acre e Rondônia, onde agricultores são vítimas da ameaça de madeireiros e grileiros. Há ainda diversos conflitos indígenas, disputas por recursos hídricos e por reservas minerais.

Segundo o pesquisador da Fiocruz Marcelo Firpo Porto, vários conflitos estão associados à expansão da agricultura, mineração, hidroelétricas e exploração de petróleo em áreas de terras altas e no litoral. Entre as áreas afetadas, ele destaca os territórios de comunidades tradicionais que, historicamente, viviam de forma sustentável. O pesquisador aponta que vários casos também estão associados à construção de obras de infraestrutura e geração de energia, como estradas, ferrovias, oleodutos, complexos portuários, hidroelétricas e termelétricas e até fazendas de energia eólica.

Por enquanto, apesar de os milhares de conflitos assinalados ainda despertarem pessimismo, os responsáveis pelo mapa apontam para sinais positivos: "O mapa mostra tendências preocupantes como a impunidade de companhias que cometem crimes ambientais ou a perseguição dos defensores do meio ambiente, mas também inspira esperança. Entre as muitas histórias de destruição ambiental e repressão política, também há casos de vitórias na justiça ambiental", disse Leah Temper, coordenadora do projeto. Este é o caso em 17% dos conflitos analisados: ações foram vencidas na justiça, projetos foram cancelados e bens foram devolvidos para algumas comunidades.

Fonte: AMDA
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