segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Florestas petrificadas preservam flora



Um grupo do Instituto de Geociências e Ciências Exatas (IGCE) da Unesp, Câmpus de Rio Claro, liderado por Rosemarie Rohn-Davies, é destaque da reportagem 'É pau, é pedra: plantas petrificadas revelam como era há quase 300 milhões de anos a paisagem onde agora ficam Tocantins e São Paulo', escrita por Maria Guimarães, para a Revista Pesquisa Fapesp de agosto de 2013. 

De acordo com a reportagem, plantas fossilizadas com a estrutura tridimensional preservada não existem em qualquer lugar, mas são comuns no Monumento Natural das Árvores Petrificadas do Tocantins e podem ser encontradas na região central do estado de São Paulo.

Essa petrificação permite estudar a anatomia das plantas que viviam no Permiano (entre 299 milhões e 251 milhões de anos atrás) e reconstruir algo da ecologia vegetal da época, quando samambaias de 15 metros de altura ladeavam os rios e coníferas cresciam em zonas mais secas.

No Tocantins, a paisagem era muito plana e com rios que transbordavam e arrastavam os caules das plantas quando chuvas torrenciais interrompiam períodos prolongados de seca. Grupo do IGCE,  liderado por Rosemarie Rohn-Davies, está desenterrando essa história, em colaboração com pesquisadores de outras instituições.

A reportagem descreve cenários com samambaiaçus de 15 metros de altura ao longo dos rios e coníferas nas áreas mais secas. Em menor quantidade, plantas aparentadas às atuais cavalinhas (que se parecem com canudos verticais não mais longos do que 1,5 metro) nos dois ambientes. Era essa a vegetação de uma área próxima ao município de Filadélfia, no Tocantins, no início do Permiano, há quase 300 milhões de anos.

Nesse período, os blocos que formam a América do Sul eram agrupados de modo bem diferente e estavam mais ao sul no planeta ? a região onde está São Paulo, por exemplo, era coberta por geleiras. À medida que esses blocos migraram para regiões mais quentes da Terra, a flora pôde migrar. Mais próximo ao fim do Permiano, cerca de 270 milhões de anos atrás, já havia vegetação onde agora é o interior paulista.

"Eu apostava que encontraria mais semelhanças entre os fósseis desse período encontrados na bacia do Parnaíba, no Nordeste, e os achados na bacia do Paraná, no Sudeste", diz a paleobotânica Rosemarie Rohn Davies. "Mas só as samambaias são parecidas." Esse retrato de um passado distante é resultado do testemunho de troncos e folhas petrificadas, estudados pela equipe de Rosemarie e por pesquisadores da Unicamp, com financiamento da Fapesp, e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

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