quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Registros no cérebro de primatas apoiam nova teoria da evolução



Primatas e seres humanos possuem uma notável capacidade de detectar serpentes mesmo em ambientes com dificuldade de visão. A pesquisa realizada pelos professores do Instituto de Ciências Biológicas (IB) Rafael Souto Maior e Carlos Tomaz, em conjunto com pesquisadores japoneses e americanos, revelou que um determinado grupo de células nervosas no cérebro dos primatas respondia mais rápido na identificação de serpentes. O artigo foi publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), na última segunda-feira (28). A pesquisa contou com o apoio da Asian CORE Program (Japão).

Por meio de sondas inseridas no cérebro dos macacos foi possível detectar que os neurônios localizados no pulvinar – parte do cérebro envolvida na atenção visual – foram mais rápida e fortemente ativados em resposta a estímulos visuais de serpentes, comparado com outros estímulos. “Nós realizamos testes em primatas justamente por eles terem uma estrutura cerebral bastante similar à do ser humano. Sendo assim, podemos supor que nós também temos essa capacidade de detectar serpentes”, explica o professor Tomaz.

Em várias mitologias, a serpente é vista como um ser insidioso, por ser um predador que não corre atrás, mas fica à espreita e depois ataca. “Nós vemos que há esse histórico marcante da serpente na nossa cultura. Ela agrega esse caráter da maldade escondida”, conta o professor Rafael Maior.

De acordo com o professor Carlos Tomaz, a pesquisa pode ter implicações práticas se analisada por outras perspectivas, como no caso da ofidiofobia, o medo de serpentes. “Sabemos que a ofidiofobia é a mais comum entre humanos. Esse estudo pode vir a ajudar no entendimento dos mecanismos neurais dessas fobias”, afirma.

EVOLUÇÃO

Uma das autoras do artigo, a antropóloga Lynne Isbell, da Universidade da Califórnia Davis, desenvolveu a teoria da evolução que diz que nosso sistema visual, ao longo de 60 milhões de anos, evoluiu pela necessidade de detectar serpentes, predadores que geralmente estão escondidos na vegetação; caso contrário, teríamos sido extintos. O artigo publicado pelos professores vem “apoiar” essa teoria. “É a primeira evidência neurocientífica para esta teoria da evolução. Foi um casamento bem sucedido”, afirma Tomaz.

Confira o artigo publicado pelos professores e a repercurssão em veículos internacionais de renome, clicando aqui, aqui e aqui .

Fonte: UnBCiência
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