sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Cientistas utilizam micróbios encontrados no esgoto para produzir energia limpa



Os micróbios encontrados na água suja podem produzir energia limpa. É o que dizem cientistas americanos, que desenvolveram um método mais eficiente que consiste em utilizar micróbios para obter eletricidade a partir da água residual. Eles esperam que essa técnica possa ser utilizada em usinas de tratamento de esgoto para neutralizar os poluentes orgânicos em "zonas mortas" de lagos e mares onde o desague de fertilizantes exaure o oxigênio, sufocando a vida marinha.

Por enquanto, a equipe de pesquisadores da Universidade de Stanford começou a trabalhar em pequena escala, com um protótipo do tamanho de uma pilha D, que consiste em dois eletrodos - um positivo e um negativo - mergulhado em uma garrafa de água residual, cheio de bactérias.

Segundo explicação da Agence France-Presse, à medida em que as bactérias consumiam a matéria orgânica, os micróbios se concentravam em torno do eletrodo negativo, expulsando os elétrons que foram capturados, por sua vez, pelo eletrodo positivo. "Chamamos isso de pesca de elétrons", disse o engenheiro ambiental Craig Criddle, um dos principais autores do estudo. "É possível ver que os micróbios constroem nanofios para descarregar o excesso de elétrons", acrescentou.

Esses micróbios, denominados exoeletrogênicos, que vivem em ambientes sem ar (anaeróbicos) e que são capazes de "respirar" óxidos de minerais no lugar de oxigênio para gerar energia são conhecidos pelos cientistas. Porém, ao longo dos últimos 12 anos, alguns grupos de pesquisa testaram abordagens diferentes para transformar esses micróbios em biogeradores, mas se mostrou difícil aproveitar a eficiência energética.

Os pesquisadores de Stanford afirmam que seu novo modelo é simples, porém eficiente, e consegue aproveitar cerca de 30% da energia potencial das águas residuais, aproximadamente a mesma taxa de painéis solares disponíveis comercialmente. Eles admitiram existir menos energia potencial disponível nas águas residuais do que nos raios solares, mas ressaltaram que o processo tem um benefício adicional: limpar a água. Ou seja, o método pode ser usado para compensar parte da energia consumida atualmente para tratar o esgoto.

Fonte: AMDA
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