quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Ibama pode paralisar construção de Belo Monte



O descumprimento de condicionantes sociais e ambientais pode comprometer a emissão da licença de operação da hidrelétrica de Belo Monte, que está sendo construída no Rio Xingu, Pará. O risco de paralisação da obra, iniciada há três anos, é citado em documento publicado silenciosamente pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), no qual o órgão analisa o terceiro relatório do consórcio Norte Energia, responsável pela construção, para acompanhamento do Plano Básico Ambiental (PBA), um rol de 23 exigências.

Segundo o documento do Ibama, sete dessas condicionantes não estão sendo atendidas. Entre elas, obras de saneamento (rede de água e esgoto), equipamentos de saúde e educação e cadastramento da população a ser reassentada na cidade de Altamira (PA) e região. Segundo reportagem da Folha.com, as obras de saneamento, um dos atrasos mais graves, deveriam ter começado há um ano. Enquanto o Ibama constatou que isso não aconteceu, a Norte Energia informou que elas tiveram início "no primeiro semestre". A própria empresa contratada, GEL Engenharia, calcula em 21 meses o prazo para terminar a obra e prevê obstáculos que poderão dilatá-lo. Ela não ficaria pronta antes de fevereiro de 2015, sete meses depois do estipulado - julho de 2014.

Hoje, os dejetos da cidade são lançados sem tratamento nas águas do Xingu. Com seu represamento pela usina de Belo Monte, deve ocorrer significativa deterioração da qualidade da água.

Conforme reportagem da Folha.com, se a ameaça de atraso da licença de operação se concretizar, o consórcio Norte Energia pode ficar impedido de encher o reservatório da usina em 2014, como previsto. Sem isso, não terá como cumprir o compromisso de acionar a primeira das 24 turbinas em fevereiro de 2015.

Prevista para operar totalmente em janeiro de 2019, a usina de Belo Monte terá uma capacidade instalada de 11.233 megawatts (MW), sendo a terceira maior do mundo, atrás somente de Três Gargantas (China) e Itaipu (Brasil/Paraguai). Contudo, o sistema interligado nacional poderá contar apenas com uma média de 4.571 MW de energia firme.

Fonte: AMDA
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