quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Brasileiros descobrem nova espécie de porco-espinho em Pernambuco



Cientistas brasileiros anunciaram nesta quarta-feira (10) a descoberta de uma nova espécie de porco-espinho, que habita principalmente em árvores, no Nordeste.

Antonio Rossano Mendes Pontes disse que sua equipe encontrou o roedor, que tem espinhos marrom-escuros com pontas avermelhadas, em um trecho pequeno e isolado de Mata Atlântica do estado de Pernambuco. Como a região tem apenas 2% de floresta original preservada, a espécie recém-descoberta já pode ser considerada ameaçada.

Conhecido pela população local como coandu-mirim, Pontes e seu grupo deram ao porco-espinho o nome científico de Coendou speratus. "Em latim, speratus quer dizer esperança, porque é o que temos para seu futuro," disse Pontes, professor de Zoologia da Universidade Federal de Pernambuco.

A equipe calcula que existam quatro porco-espinhos por quilômetro quadrado na região de fragmentos florestais perto da Usina Trapiche, ao norte do rio São Francisco, onde ele foi descoberto. Mas Pontes diz duvidar que mais animais existam fora deste pequeno trecho de mata. Mesmo que eles sejam encontrados, há poucas chances dos diferentes grupos terem cruzado entre si, o que significa que o acervo genético da floresta deva estar comprometido por endocruzamentos.

O porco-espinho é um animal notívago, e dorme em buracos nos troncos de árvores.

Predadores de médio e grande porte, como onças e cães domésticos, são os inimigos naturais do coandu-mirim. Mas quem oferece a maior ameaça à espécie é o ser humano. "Os homens estão desmatando e incendiando florestas, e também caçam os porco-espinhos", disse Pontes, que pesquisa a área desde 2000.

"Começamos pesquisando toda a literatura que descreve a fauna da região, desde os primeiros colonizadores e descobrimos que muitos dos animais descritos já estão extintos," afirmou o pesquisador. "Um dos aspectos mais interessantes desta descoberta é que esta espécie nunca foi mencionada na literatura e permanecia desconhecida até agora".

"Dada a velocidade de destruição deste bioma, já que 98% da Mata Atlântica original já foi destruída, imagine quantas espécies se extinguiram antes que nós pudéssemos saber que elas existiam", refletiu.

O artigo científico de Pontes que descreve o Coendou speratus foi publicado na última edição do periódico Zootaxa.

Fonte: Último Segundo
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