quinta-feira, 4 de julho de 2013

Pequenas hidrelétricas ameaçam biodiversidade no Pantanal



Nos últimos anos, o Pantanal Mato-grossense, uma exuberante reserva de mais de 140 mil quilômetros quadrados distribuídos entre os estados de Mato Grosso (MT) e Mato Grosso do Sul (MS) tem sido ocupada por dezenas de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs). Para estudiosos, a produção é pequena e não compensa o impacto ao meio ambiente. Elas geram cerca de 1% da energia produzida no Brasil. A comunidade científica também afirma necessidade de ser realizada avaliação ambiental estratégica de toda a região para saber acerca das mudanças geradas pelas PCHs.

Detentor do título de Patrimônio Natural da Humanidade e Reserva da Biosfera, concedido pela Unesco, o Pantanal é uma das maiores planícies úmidas do mundo, graças aos grandes rios que cortam a região, tem formação de grandes inundações de água doce ou salobra em toda sua extensão, a região tem sido uma oportunidade de negócio. Além das dezenas de PCHs já em funcionamento nos dois estados, outros 87 projetos estão em andamento.

Graças a uma liminar da Justiça, em dezembro, a expedição de licenças ambientais para construção de hidrelétricas foram suspensas até que os órgãos responsáveis apresentassem estudo de impacto do conjunto. Porém, a liminar foi derrubada, no dia três de maio, pela desembargadora Marli Ferreira, do Tribunal Regional Federal de Cuiabá, depois de um recurso da Associação Brasileira dos Geradores de Energia Limpa (Abragel).

As usinas de pequeno porte que têm sido construídas nos rios do pantanal são capazes de gerar de 1 a 30 megawatts e operam pelo sistema conhecido como fio d' água. Nesse tipo de hidrelétrica, não há formação de grandes reservatórios de água, mas ainda assim a bióloga especialista em ecologia de rios da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Pantanal e professora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) Débora Calheiros afirma que as PCHs são um risco para o sistema hidrológico da região. 

Em entrevista para o jornal Estado de Minas, ela conta que a construção de tantas usinas já alterou o fluxo migratório dos peixes, que têm enfrentado problemas para se reproduzir. "As PCHs são consideradas pequenas por sua capacidade de geração de energia, mas qualquer obstáculo que é colocado no leito do rio interrompe seu fluxo e altera o ciclo de secas e cheias, fundamentais para a reprodução de algumas das espécies mais importantes do pantanal", alerta.

A produção das PCHs, segundo Débora, é pequena e não compensa o impacto ao meio ambiente, pois geram cerca de 1% da energia produzida no Brasil. Ela diz ainda que as hidrelétricas podem atingir a pecuária. De acordo com a especialista, alguns produtores criam gado em pasto nativo, que depende das inundações para se livrar de alguns tipos de vegetação. "A pecuária extensiva já sofre, pois não observamos cheias tão grandes", observa.

Fonte: AMDA
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