sexta-feira, 14 de junho de 2013

Ararinha-azul é reproduzida em cativeiro



Após entrar em extinção no Brasil, em 2000, renova-se a esperança de a ararinha-azul reaparecer na natureza, mais precisamente na Caatinga, graças à ciência. Coordenado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o Plano de Ação Nacional para Conservação da Ararinha-azul ganhou reforço da Al Wabra Wildlife Preservation (AWWP), instituição que mantém um programa de reprodução em cativeiro para as aves no Qatar, Oriente Médio. 

Neste ano, a entidade orgulhosamente anunciou o nascimento dos primeiros filhotes da arara mais ameaçada do mundo, a partir da inseminação artificial. Segundo a AWWP, parceira do Projeto Ararinha na Natureza, a técnica pode aumentar o sucesso reprodutivo das aves. No Brasil, o método deverá ser repetido através de parceria entre o governo e a Nest - responsável por dez dos onze indivíduos no país.

Processo

Pesquisadores da instituição e da Parrot Reproduction Consulting selecionaram e coletaram sêmen de machos. O material foi inserido nos ovidutos de fêmeas, que estavam prontas para serem fecundadas. Sete ovos foram gerados e transferidos para uma incubadora imediatamente após a postura. Uma semana mais tarde, foi constatado que dois deles continham embriões em desenvolvimento. Os ovos férteis foram separados e monitorados diariamente. Foram 26 dias de incubação até o nascimento dos filhotes.

Em nota divulgada pelo site da National Geographic Brasil, o coordenador de espécies ameaçadas do ICMBio, Ugo Vercillo, explica que a inseminação artificial da ave é um grande passo no processo de reintrodução da espécie na Caatinga. "Há cinco anos, a inseminação artificial para a ararinha-azul era algo impossível. Graças aos esforços da Al Wabra Wildlife Preservation e da Parrot Reproduction Consulting esse feito se tornou realidade e nos deixa mais perto de reintroduzir a ararinha-azul na natureza", destacou.

O veterinário Daniel Neumann, membro da Parrot Reproduction Consulting e especialista em reprodução do Plano de Ação Nacional para a Conservação da Ararinha-azul, cujo sobrenome foi dado ao primeiro filhote, se emociona ao falar da experiência. "Já realizei muitas inseminações artificiais em psitacídeos nos últimos anos, mas nenhuma foi tão especial quanto essa com as ararinhas-azuis. Ainda garoto, acompanhei o desaparecimento da última ararinha-azul na natureza e era meu sonho estar envolvido com a conservação desta espécie. Agora, fui a pessoa que realizou a primeira inseminação artificial com sucesso. Ainda é difícil entender, mas isto me faz bem", conta o pesquisador. 

Fonte: ICMBio
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