segunda-feira, 6 de maio de 2013

Guepardos podem desaparecer da natureza até 2030, dizem especialistas



O guepardo, animal terrestre mais rápido do mundo, sobreviveu às transformações do planeta durante quatro milhões de anos, mas em poucas décadas o homem o fez entrar na lista de espécies ameaçadas de extinção, ao reduzir seu espaço vital.

Segundo informações da France Presse, que cita especialistas e a organização não-governamental (Fundo de Proteção do Guepardo, na sigla em inglês), com sede na Namíbia, dos 100 mil indivíduos distribuídos entre África, Oriente Médio, Irã e vários países asiáticos no início do século 20, restam apenas 10 mil na vida selvagem.

Além disso, se nada for feito para evitar a fragmentação de seu habitat, considerado o principal obstáculo para a sobrevivência da espécie, esses animais podem desaparecer da natureza até 2030.

Este caçador, que pode alcançar os 120 km/h, está em perigo de desaparecer particularmente porque é o único grande felino com dificuldades para se adaptar à vida em um parque natural protegido, onde sofre com a concorrência de outros predadores.

Ao contrário de outras espécies ameaçadas, como elefantes e rinocerontes, o guepardo não é ameaçado por caçadores ilegais, mas está menos preparado para viver em um mundo onde os territórios selvagens diminuem ano após ano. Ele perde sistematicamente os confrontos com leões ou leopardos, mais pesados e fortes. Na melhor das hipóteses, os outros felinos roubam sua presa antes que ele possa comê-la.

Com isso, este especialista em corrida de velocidade, pesando cerca de 50 kg, precisa de grandes espaços abertos com uma reduzida população de outros carnívoros. Estima-se que na África, 90% dos guepardos vivam fora das áreas naturais administradas pelo homem, o que os deixa à mercê de tiros dos fazendeiros, que usam armas de fogo para defender seu gado.

Genética enfraquecida

Outra desvantagem é a consaguinidade natural da espécie. Os cientistas acreditam que na última era glacial, há 10 mil anos, a população de guepardos foi reduzida a um punhado de indivíduos. A reprodução com parentes próximos levou a uma fertilidade muito frágil.

Em termos imediatos, a criação do animal permite preservar o patrimônio genético. Criadores particulares, especialmente na África do Sul, trocam animais e mantêm a população com boa saúde. Pioneiro na reprodução em cativeiro, o centro Ann van Dyck, na região de Johannesburgo, conseguiu 800 nascimentos desde os anos 1970.

Mas para o futuro do felino, "nossas pesquisas e experiências demonstraram que os guepardos que não viveram ao menos 18 meses com sua mãe em um hábitat natural, têm muitas dificuldades para voltar à vida selvagem", destaca Laurie Marker, da organização CCF (Fundo de Proteção do Guepardo, na sigla em inglês) com sede na Namíbia.

Apesar de tudo, alguns criadores são otimistas. "Esperamos soltar em breve três guepardos em um ambiente totalmente selvagem com um mínimo de intervenção humana", destaca Damien Vergnaud, proprietário de uma reserva de 10 mil hectares na região da Cidade do Cabo. Nesse espaço, os guepardos encontrarão suas presas, mas sem serem ameaçados por nenhum outro predador: um primeiro passo para seu retorno à natureza.

Fonte: G1
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