sexta-feira, 17 de maio de 2013

Desmatamento da Amazônia causado pelo agronegócio é um tiro no pé



Foi publicada na última sexta-feira (10), na revista americana Environmental Research Letters, uma pesquisa realizada por estudiosos brasileiros e um americano que conclui que quanto mais a agricultura substituir a floresta Amazônica, menos produtiva será.

Os pesquisadores das universidades federais de Viçosa, do Pampa, de Minas e Centro de Pesquisa Woods Hole investigaram o delicado equilíbrio entre floresta e o clima da região e como o desmatamento pode afetá-lo. De acordo com a equipe, que trabalhou com o princípio de que a floresta controla o regime climático da região, com o desmatamento, até 2050, é esperada uma estiagem. Aliada ao processo de aquecimento global, pode resultar em uma diminuição da produtividade de soja e pasto.

De acordo com publicação do O Estado de São Paulo, os autores da pesquisa estimam que a redução no volume de chuvas pode diminuir a produtividade da pastagens de 30% a 34%. Já a elevação da temperatura pode provocar uma redução no plantio de soja - de 24%, no melhor cenário, a 28%, no pior.  A variação dos números é dada ao fato de que foram considerados dois cenários: um em que a legislação ambiental é implementada e o governo é atuante, e outro com desmatamento intenso, semelhante ao que ocorria entre os anos 2000 e 2004, quando a taxa anual bateu em 27%.

O estudo ainda revelou que as mudanças climáticas serão mais sentidas nas regiões no norte do Mato Grosso e leste do Pará e serão tão intensas que a agricultura se tornará inviável. "Já sabíamos que, com o desmatamento, alguns serviços ambientais desempenhados pela floresta, como a regulação climática, seriam reduzidos. Mas em compensação poderíamos ter uma grande produção agrícola regional. Demonstramos que, para níveis elevados de desmatamento, o serviço de regulação climática cai tanto que afeta significativamente a produtividade agrícola, ou seja, você perde os serviços prestados pela floresta e não ganha a produção agrícola", afirma Marcos Costa, de Viçosa.

Fonte: O Estado de São Paulo
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