segunda-feira, 6 de maio de 2013

Caatinga pode ser mais eficiente que florestas úmidas no sequestro de carbono



Pesquisadores do Instituto Nacional do Semiárido, ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, querem provar que a vegetação da Caatinga pode ser proporcionalmente mais eficiente do que as florestas úmidas para absorver gás carbônico presente na atmosfera, em um processo natural, conhecido como sequestro de carbono.

Para comprovar a eficácia do bioma, os pesquisadores iniciaram um estudo por meio do qual foram instaladas duas estações micrometeorológicas em Campina Grande, na Paraíba, para monitorar o dióxido de carbono absorvido pelas plantas da região. "Estudos revelam que as florestas tropicais têm alta capacidade de sequestrar carbono [da atmosfera], mas elas também apresentam altos níveis de emissão, que ocorrem, por exemplo, com a queda de folhas. Já a Caatinga, não sequestra tanto, mas emite quase nada e queremos investigar esse grau de eficiência, que acreditamos ser maior no caso da Caatinga", disse Bergson Bezerra, físico e pesquisador do Insa.

De acordo com Bezerra, o grupo de cientistas pretende, com os resultados, conscientizar os governos e, principalmente, a população que vive no Semiárido sobre a importância de se preservar a vegetação nativa como forma de mitigar os impactos das alterações no clima da região. "Construiu-se um preconceito em relação à Caatinga, sustentado na ideia de que ela representa um ambiente hostil e inóspito. As pessoas sempre acreditaram que ela não servia para nada, que era melhor retirar toda a Caatinga e substituí-la por [vegetações] frutíferas, por exemplo. Queremos provar cientificamente que isso não tem fundamentação", comentou.

Bezerra enfatizou que os três primeiros meses de observação já trouxeram "resultados auspiciosos". "Será um estudo de longo prazo, com conclusão prevista para 2015. Mas essa observação preliminar já nos permitiu constatar que mesmo no período seco, quando a planta fica totalmente sem folha e com estresse hídrico, ainda há sequestro de carbono, ou seja, ela ainda cumpre seu papel ambiental", informou.

O físico explicou ainda que com a chegada da estação chuvosa, nos meses de maio e junho, os pesquisadores acreditam que a atividade fotossintética será acentuada, com sequestro de carbono ainda mais intenso.

Caatinga como patrimônio nacional

Uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) propõe que Caatinga e Cerrado sejam incluídos na lista de patrimônio nacional. Um terço do território brasileiro é ocupado pelos biomas, que estão presentes em 14 dos 26 Estados brasileiros.

"Mais de 50% da Caatinga e mais de 50% do Cerrado já foram desmatados, nós precisamos de políticas públicas, não que impeçam a produção agrícola ou agropecuária, mas que transformem esta produção com a perspectiva de futuro", pontuou Rodrigo Castro, coordenador da Associação Caatinga.

Pela constituição, apenas floresta amazônica, Mata Atlântica, Serra do Mar, Pantanal mato-grossense e a zona costeira fazem parte do patrimônio nacional. A inclusão do Cerrado e da Caatinga garantirá a essas áreas um planejamento sobre uso sustentável e mais rigor na fiscalização.

A PEC já teve parecer favorável da comissão de Constituição e Justiça da Câmara e foi aprovada no Senado, mas ainda precisa passar por votação no plenário da Câmara.

Fonte: AMDA
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