terça-feira, 23 de abril de 2013

Pesquisadoras da UnB publicam artigo na Science



O desenvolvimento urbano mal planejado e o desmatamento florestal são alguns dos responsáveis pela alteração no ciclo do nitrogênio. O principal fator, no entanto, “é a emissão de óxidos de nitrogênio por queima de combustíveis fósseis”, explica a pesquisadora Gabriela Bielefeld Nardoto, professora adjunta da Faculdade UnB Planaltina (FUP) e uma das autoras do texto. Segundo ela, o nitrogênio que se encontra na natureza na forma inerte volta para a atmosfera como poluente, acidificando o solo e levando à perda de biodiversidade.

A situação se agrava ainda mais com o aumento das queimadas e o uso indiscriminado de fertilizantes na agricultura. “Os níveis de nitrogênio caem e o solo perde cálcio e magnésio, ficando pobre em nutrientes”, esclarece Gabriela. O solo pobre exige mais fertilizantes para promover o desenvolvimento das plantas e muitos agricultores acabam utilizando as queimadas como recurso para recuperar a produtividade da terra. A retirada do nitrogênio do solo tem sido considerada a terceira maior causa de perda da biodiversidade.

O artigo, publicado recentemente na revista Science, chama a atenção para um fenômeno até então pouco discutido por pesquisadores da América Latina: a poluição ambiental por nitrogênio. “Esse tipo de poluição só era visto pelos Estados Unidos, Europa e Ásia e nós somos uma região do mundo com uma mega biodiversidade”, conta Gabriela Nardoto. Além dela, a pesquisadora Mercedes Bustamante, professora do Departamento de Ecologia da UnB, também assina o texto, junto com outros dez especialistas de países da América Latina, como Argentina, Bolívia e Chile.

O encontro entre os estudiosos aconteceu em agosto de 2011, no Instituto de Biologia da Universidade de Brasília, durante um workshop promovido pelas professoras da UnB com apoio da Iniciativa Internacional do Nitrogênio (INI). A reunião resultou na elaboração do texto publicado pela Science. “Temos trabalhado em três pilares: ensino, pesquisa e extensão”, explica o professor Luiz Antônio Pasqueti, diretor da Faculdade UnB Planaltina. “Para nós é um orgulho muito grande elas terem conseguido que esse trabalho fosse reconhecido pela Science. Isso demonstra a qualidade dos nossos professores”, completa Pasqueti.

A revista Science é uma das mais prestigiadas publicações voltadas à ciência do mundo, conhecida por divulgar importantes descobertas científicas como a clonagem, o uso de células-tronco e a descoberta do Bóson de Higgs, que ficou conhecido como a “partícula de Deus”. Em 2007, foi contemplada com o Prêmio Príncipe das Astúrias de Comunicação, juntamente com a revista Nature.


Para ler o artigo, clique aqui


Fonte: UnB
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