segunda-feira, 8 de abril de 2013

Canadá abandona Convenção da ONU de Combate à Desertificação



O Canadá se tornou o único país do planeta a estar fora da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), e, segundo políticos do país, existe a possibilidade do abandono também da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC).

A justificativa canadense para sair da UNCCD foi contenção de custos. “Queremos usar os recursos da forma mais efetiva possível. O Canadá continuará desempenhando um papel de liderança, promovendo a agenda de segurança alimentar e nutrição. Por exemplo, ajudamos quase quatro milhões de famílias agrícolas em toda África a obter sementes mais resistentes à seca”, afirmou Amy Mills, da Agência Internacional de Desenvolvimento do Canadá (Cida), por email enviado à IPS.

“No passado, o Canadá se esforçou várias vezes para posicionar a Convenção Contra Desertificação como um meio significativo para promover as prioridades globais e canadenses para melhorar a segurança alimentar e combater a degradação de terras”, destacou Mills. Mas, agora, “acreditamos que outros esforços podem conseguir melhores resultados”, acrescentou.

O deputado liberal David McGuinty, em entrevista para o portal RTCC, classificou a saída do país da UNCCD como uma “desgraça”, e disse temer que o abandono da UNFCCC esteja próximo.

“Não tenho dúvidas de que existe o perigo de que o governo continue a desistir dos mais diferentes tratados e esforços internacionais. Como querem equilibrar o orçamento até 2015, estão procurando cortar custos em todos os lugares”, disse McGuinty.

Em 2011, o atual governo conservador canadense já havia abandonado o Protocolo de Quioto, argumentando que “o protocolo não cobre os dois maiores emissores mundiais, Estados Unidos e China, portanto não tem como funcionar. Está claro que Quioto não é uma opção séria para solucionar as mudanças climáticas”.

Além do corte dos custos, muitos suspeitam que a saída do Canadá dos tratados internacionais tem a ver com o desejo do governo de expandir a exploração de petróleo nas areias betuminosas, atividade que tem grandes impactos climáticos e ambientais, e com a construção do oleoduto Keystone XL, que está em negociação com os Estados Unidos.

“Eles [o governo] são céticos climáticos e estão conscientemente abandonando a defesa da questão ambiental para a sociedade canadense. É um partido de extrema direita que tenta se disfarçar de centro, mas que às vezes mostra sua verdadeira face”, concluiu McGuinty.

Fonte: Instituto CarbonoBrasil
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