segunda-feira, 25 de março de 2013

Falta de estrutura da polícia ambiental mineira prejudica fiscalização em áreas de proteção



Apesar da recente aquisição de equipamentos como armamento, rádios e coletes a prova de bala, o Grupamento da 11ª Companhia Independente de Meio Ambiente e Trânsito de Montes Claros, está com seus dois veículos inutilizáveis. Com pouco mais de dois anos de uso, as caminhonetes estão paradas desde o início do ano. Uma delas por falta de revisão e a outra por não haver combustível já que, desde janeiro, estaria sendo realizada licitação para a compra. De acordo com apuração da Associação Mineira de Defesa do Ambiente (Amda), além disso não ter acontecido ainda, a cota mensal que é disponibilizada para o Grupamento não é suficiente,  pois ele atende cinco municípios, com grandes distâncias entre si. A entidade apurou ainda que grande parte das denúncias que a PMMA recebe não é atendida, devido às limitações de transporte. 

Com apenas 10 homens, que se revezam em diferentes escalas de trabalho; três barcos, somente um com motor que é direcionado às visitas ao Rio São Francisco, e as duas caminhonetes, que ficam mais paradas que na ativa, o Grupamento da PMMA, em Januária, responde por cerca de 15 mil km² distribuídos nos seguintes municípios: Januária, Pedra de Maria da Cruz, Itacarambi, Cônego Marinho e Bonito de Minas.

A área de atuação do Grupamento abriga Unidades de Conservação de grande importância, como o Parque Estadual Veredas do Peruaçu  e Parque Nacional Cavernas do Peruaçu. Denúncias de tráfico de animais silvestres, desmatamentos, incêndios são constantes.

A deficiência estrutural da PMMA não se limita aos veículos e a falta de efetivo. O único meio de comunicação que os militares dispõem são os rádios, porque a sede do mesmo não possui telefone. É comum que os policiais recebam ligações de denunciantes no orelhão mais próximo, que também está sempre com defeito, ou então as demandas são repassadas, via rádio, pelos atendentes do 190. A providência acaba sendo morosa devido à deficiência no sistema de comunicação. 

Para a superintendente da Amda, Dalce Ricas, a situação descrita exemplifica o tratamento secundário dado pelo Governo à área ambiental, especificamente à proteção da biodiversidade. "A Região Norte de Minas abriga os maiores remanescentes de ambientais naturais que restaram no estado e o papel da Polícia Ambiental é crucial para sua proteção. O contingente de policiais além de insuficiente para atuar em cinco municípios, enfrenta problemas que deveriam ter sido resolvidos há muito tempo pelo poder público". 

A Amda encaminhou ofício ao comando da PMMG, com cópia ao Governador do Estado, Antônio Anastasia, e ao secretário de meio ambiente, Adriano Magalhães, no qual solicita providências imediatas para solucionar os problemas apontados. 

Fonte: AMDA
Postar um comentário