segunda-feira, 4 de março de 2013

Brasil lança primeiro sistema nacional de simulação do clima global



O Brasil acaba de lançar o primeiro sistema nacional de simulação do clima global, que traz como principal novidade em relação a seus similares internacionais a inclusão de características mais detalhadas do país e do continente sul-americano. Batizado de "Modelo Brasileiro do Sistema Terrestre", a ferramenta consegue, por exemplo, prever a influência do desmatamento da Amazônia nas correntes de ventos que seguem para outras áreas do planeta, além de determinar seu impacto no regime de chuvas do Hemisfério Sul.

O sistema, desenvolvido sob a coordenação do Centro de Ciências do Sistema Terrestre (CCST), braço do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), permite ainda saber como fenômenos climáticos influenciam a atmosfera na região banhada pelo Oceano Atlântico Sul. Os dados utilizados abrangem o período entre 1960 e 2100.

Além disso, o Modelo Brasileiro traz um ponto importante e inédito: a partir de agora, cientistas conseguirão produzir dados sobre degelo no Ártico e na Antártica, informações que antes só eram divulgadas por organismos internacionais, como o Centro Nacional para Pesquisa Atmosférica (NCAR) do governo dos Estados Unidos.

As informações brasileiras serão utilizadas na elaboração do quinto relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que dá base para negociações globais de medidas contra as mudanças climáticas. A previsão é de que o novo relatório seja divulgado a partir de meados de setembro.

De acordo com Paulo Nobre, climatologista do Inpe e um dos coordenadores do projeto, a modelagem brasileira vai contemplar características que não eram monitoradas por outros sistemas globais de previsão climática. Conforme informações do portal de notícias G1, informações de florestas tropicais, regiões semiáridas, alterações na vegetação por fogo e emissões de gases serão aliadas ao que acontece na Antártica ou ainda ao impacto causado pelo homem. "É um esforço importante, que reúne diversas instituições do país e envolve várias regiões. O modelo será comparado com resultados das demais modelagens existentes no mundo, que poderão ser usados pelos geradores de políticas públicas do país, em função das mudanças climáticas", explica.

Fonte: G1
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