sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Desmatamento na Amazônia é responsável pela emissão de até cerca de 25 toneladas de CO2 por metro cúbico de madeira serrada



A derrubada de árvores na Floresta Amazônica é responsável pela emissão de 6,5 a 24,9 toneladas de dióxido de carbono (CO2) por metro cúbico de madeira serrada. A estimativa é uma das conclusões da dissertação de mestrado "Emissão de CO2 da madeira serrada da Amazônia: o caso da exploração convencional", realizada pela arquiteta Érica Ferraz de Campos na Escola Politécnica (Poli) da Universidade de São Paulo (USP). O estudo mostra a emissão de CO2 ao longo de todo o processo de produção da madeira serrada, do corte de toras até seu transporte para o mercado consumidor.

Durante o estudo, a pesquisadora analisou o processo produtivo da madeira serrada na Amazônia, isso é, a transformação das toras em tábuas, por exemplo. "Ele [o processo] é constituído por quatro etapas: extração das árvores, deslocamento delas entre a floresta e a serraria, processamento das toras em produtos serrados e transporte delas ao mercado consumidor, com diferentes graus de impacto ambiental em cada uma. Ao longo dessas etapas, o carbono é liberado principalmente como CO2, a partir da degradação de resíduos de biomassa, gerados na extração e no processamento, e da queima de energia fóssil", explica Ferraz.

Segundo ela, em cada hectare da Floresta Amazônica há entre 200 e 425 (média de 300) toneladas de biomassa seca (madeira livre de água, seca em estufa), que estocam de 98 a 208 (média de 147) toneladas de carbono. "Na exploração convencional, sem manejo, são extraídas de três a nove árvores por hectare, o que representa entre 4% e 14% da biomassa dessa área", conta. "Durante essa primeira etapa do processo, pode ser danificada de 7% a 33% da biomassa florestal para abertura de trilhas, derrubada e retirada da madeira comercial. Essa variação está principalmente relacionada à densidade da vegetação na floresta e procedimentos adotados pelo madeireiro. São resíduos como árvores destruídas, troncos quebrados ou ocos, pedaços de madeira sem aproveitamento comercial, galhos de pequeno diâmetro e folhas, por exemplo, que são abandonados na floresta, onde se decompõe, liberando CO2 para a atmosfera", pontua.

Na segunda etapa do processo, que ocorre nas serrarias, devido ao baixo aproveitamento delas, pelo menos 54% da biomassa das toras são transformadas em resíduos, como pedaços de madeira, cascas, aparas e pó de serragem, que são queimados ou se degradam, transformando-se em outra fonte de CO2. Além disso, em toda a cadeia produtiva é consumida energia fóssil, principalmente óleo diesel, para funcionamento de equipamentos como motosserras, tratores, maquinário de processamento das toras e veículos de transporte que levam as toras da floresta até as serrarias. É a terceira etapa, na qual também é liberado CO2, resultante da demanda energética.

No total, Ferraz estimou que esse processo produtivo libera entre 7,5 e 28,4 toneladas de dióxido de carbono por tonelada seca de madeira serrada. A esse valor, deve-se acrescentar o que é liberado na quarta etapa, que é o transporte do produto entre a serraria e o mercado consumidor. Considerando-se a distância média percorrida legalmente com a madeira amazônica no Brasil, que foi estimada em 1.956 quilômetros, essa etapa libera mais algo entre 0,03 e 0,12 tonelada de CO2 por tonelada de tora processada.

Diante de tais dados, a pesquisadora salienta que o impacto da madeira amazônica serrada não pode ser desprezado, mesmo em casos de exploração legal. Para ela, o modelo convencional de exploração tem que ser revisto, criando-se políticas para minimizar a liberação de CO2 e promover a conservação da floresta.

 Com informações do EcoDebate
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