terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Nº de bolsistas brasileiros no exterior cresce, mas apenas 12% estão em universidades de excelência



Um dos principais programas do governo Dilma, o Ciência Sem Fronteiras, já triplicou o número de universitários que estudam no exterior, financiados pela União. A maior parte dos beneficiados, porém, não está nas melhores faculdades do mundo.

Com base nos dados oficiais do programa, o jornal Folha de S. Paulo identificou para quais instituições os alunos de graduação ganharam bolsa, considerando os quatro países que mais receberam alunos (EUA, Portugal, Espanha e França).

Dos cerca de 8.000 graduandos, só 12% foram para universidades que integram uma lista considerada como de excelência pela própria Capes (um dos órgãos do Ministério da Educação que coordena o projeto).

Nos materiais informativos e publicitários, o governo afirma que financia os alunos para estudar nas "melhores universidades do mundo".

Analistas ouvidos pela reportagem afirmam ser positiva a iniciativa de enviar alunos para o exterior, pois, com a experiência, eles podem melhorar o sistema brasileiro (na graduação, eles ficam fora até um ano e meio).

Um dos problemas, dizem, é usar recursos públicos para custear bolsas em escolas que estão até abaixo de brasileiras como USP e Unicamp.

Lançado em 2011, o programa deverá gastar R$ 3,2 bilhões até 2014, para custear 101 mil bolsas. O valor é equivalente a 70% do Orçamento da USP para este ano.

Rankings

Em seu site, a Capes afirma que "prioritariamente" os alunos devem ir para uma das cerca de 300 universidades de excelência -basicamente, elas estão entre as 200 melhores do mundo em dois dos principais rankings internacionais ou tiveram ao menos uma área com boa posição.

As listas consideradas são dos rankings britânicos THE (Times Higher Education) e QS (Symonds Quacquarelli).
Ao comentar os dados tabulados pela Folha, o órgão federal afirmou, porém, que os alunos estão "nas melhores instituições disponíveis".

No projeto, o aluno não escolhe em qual universidade estudará. Ele aponta a área e o país. A vaga é obtida pelas instituições parceiras da Capes em cada país, segundo os postos oferecidos pelas instituições que aderiram à ação.

As seis escolas que mais receberam alunos, todas portuguesas, não estão na lista considerada como de excelência.

A campeã foi a Universidade de Coimbra (709 alunos), que não está entre as 400 melhores no THE (onde a USP é 158ª) e está em 385ª no QS. Depois vem a Universidade do Porto e a Técnica de Lisboa.

Entre as instituições bem avaliadas, a que mais recebeu alunos foi a Universidade de Barcelona (93 estudantes), posição 187ª no QS. Há ainda alunos nas líderes dos rankings mundiais, como MIT (4 bolsistas) e Harvard (6).

Fonte: Folha Online
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